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5 apps para celebrar o Dia do Steampunk

15 jun

(publicada originalmente no Download da Hora)

Grandes máquinas movidas a vapor, indumentária e arquitetura da Era Vitoriana e elementos de fantasia e cyberpunk. Essas são algumas das características que definem o steampunk, que teve seu Dia Internacional comemorado nesta quinta (14/6).

Embora o gênero esteja associado a escritores pioneiros de ficção científica como H. G. Wells e Jules Verne, ele não está representado apenas na literatura. Games da série Final Fantasy, versões cinematográficas mais recentes de Sherlock Holmes e Os Três Mosqueteiros e até quadrinhos como A Liga Extraordinária também bebem muito dessa fonte.

Conheça a seguir 5 aplicativos gratuitos de smartphone para tirar fotos, jogar e até xingar como um verdadeiro representante do steampunk:

1 – Steampunk PhotoTada!

Steampunk PhotoTada! é um aplicativo que tira fotos e disponibiliza efeitos para você deixá-las com cara de steampunk.

Após tirar a foto pelo próprio app, ele oferece três opções de tratamento da imagem. É possível deixá-la com diversas cores: sepia, preto e branco, bronze, fumaça azul, gás mostarda, entre outros. A intensidade de cada tonalidade pode ser controlada.

Além disso, você pode colocar vários efeitos sobre a foto, como desgaste com manchas, borrados de bebida, escritos de jornal, ferrugem e mais onze outras opções. Nesse quesito, também é possível regular a intensidade.

Por fim, basta escolher a moldura de sua foto. Existem onze opções, todas remetendo a engrenagens, à Era Vitoriana e outros elementos steampunks.

Após criar a foto, você pode salvá-la em seu álbum do iPhone ou compartilhar a criação por e-mail, Flickr ou Facebook.

Baixe o Steampunk PhotoTada! para iPhone pelo Downloads INFO.

2 – Steampunk Solitaire Free

Steampunk Solitaire Free é um jogo de Paciência com estética típica steampunk.

Esta versão oferece possibilidade de voltar ações, além de contar o tempo e os movimentos feitos pelo jogador.

Embora a tela inicial tenha boa arte e o jogo não seja feio, o game decepciona na falta de opções básicas, como virar apenas uma carta ou subir cartas por naipe com duplo clique. No lugar, créditos e comerciais dos outros jogos da desenvolvedora estão disponíveis.

Ainda assim, para fãs do jogo ou de steampunk, não deixa de ser um tema gráfico novo que pode refrescar a experiência com as cartas.

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3 – Steampunk Go Launcher Ex Theme

Steampunk Go Launcher Ex Theme é um aplicativo que deixa seu Android com tema no estilo steampunk.

Além do papel de parede cheio de engrenagens e do menu estilizado, são disponibilizados diversos ícones personalizados que remetem às características steampunk.

É necessário instalar o GO Launcher EX para que o aplicativo rode. Se ele não estiver instalado em seu smartphone, um link direto será fornecido instantaneamente.

Baixe o Steampunk Go Launcher Ex Theme para Android pelo Downloads INFO.

4 – Steampunk Calculator

Steampunk Calculator é um aplicativo com funções simples de uma calculadora. Seu diferencial é apresentar visual steampunk.

Assim que você digita o primeiro elemento da conta e a operação desejada, ele fecha os sinais com uma grade. Apenas ao digitar a segunda parte e pedir o resultado, a grade se abre junto com o resultado.

Animações com vapor e engrenagens mexendo, além de sons industriais, permeiam toda experiência com o app.

Se o usuário quiser praticidade e bons recursos de uma calculadora, deve ficar longe de Steampunk Calculator. Mas se o objetivo for fazer contas simples e passar por processos cansativos com estilo, o app pode ser uma boa pedida.

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5 – Steampunk Insult Engine Free

Steampunk Insult Engine é um aplicativo que oferece 127.500 desaforos diferentes para insultar alguém como um verdadeiro steampunk.

O app conta com três diferentes fundos para os textos e quatro personagens caracterizados como personagens steampunk.

O aplicativo, que é inteiro em inglês, pode ser boa curiosidade para fãs do gênero steampunk.

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Fire Walk With Me (e mais 5 filmes com vilões inesperados)

8 maio

(publicado originalmente no Obvious)

A morte de Laura Palmer no seriado Twin Peaks intrigou milhões de telespectadores nos anos 90. Após meses de angústia, o assassino foi revelado, causando espanto em todos. Conheça cinco filmes que também tiveram êxito nessa proeza de surpreender o público com um culpado improvável.

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Há exatamente 20 anos, era exibido em Cannes o filme Twin Peaks: Fire Walk With Me. O longa fez as vezes de prólogo para o falecido seriado Twin Peaks, mostrando os últimos dias da personagem Laura Palmer. O assassinato da garota intrigou os telespectadores da série entre 1990 e 1991. Apesar da qualidade da trama, o programa, criado por David Lynch e Mark Frost, teve cancelamento prematuro após contínua queda de audiência. A principal causa? Justamente a revelação (imposta pela rede) do culpado por trás da brutal morte – atitude que minou o apelo central da história até então. Mas, ainda que inoportuno, o clímax da descoberta valeu a pena. Poucas obras conseguem preservar a identidade do vilão de forma tão sublime – mas consigo pensar em pelo menos 5 outras películas nas quais essa surpresa também causou grande impacto. (Obs: esse texto não identifica o vilão de cada filme.)

Os Suspeitos (1995) 

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A dúvida sobre a identidade do grande vilão em The Usual Suspects é sugerida desde seu cartaz promocional. Os personagens de Kevin Pollak, Stephen Baldwin, Benicio Del Toro, Gabriel Byrne e Kevin Spacey aparecem perfilados numa sala de reconhecimento de suspeitos. Reunidos em uma cela enquanto esperam liberação da polícia, os cinco gatunos se conhecem melhor e acabam selando parceria para um novo golpe. No entanto, aos poucos o plano vai ficando arriscado demais, graças ao envolvimento do enigmático chefão do crime conhecido como Keyser Söze. Apesar de parecer distante e intangível por um lado, de alguma forma Söze parece estar o tempo todo na cola do quinteto.

Coração Satânico (1987)

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Contando com impagável atuação de Roberto De Niro, no papel do ricaço Louis Cyphre, Angel Heart acompanha um caso do detetive maltrapilho Harry Angel (Mickey Rourke). No meio dos anos 50, ele é contratado para descobrir o paradeiro do cantor Johnny Favorite. Cyphre tinha apadrinhado o rapaz, mas perdeu contato com ele após a Segunda Guerra Mundial. Conforme Angel busca informações sobre o músico, começa a esbarrar em figuras lúgubres, magia negra e novos assassinatos – evidenciando que alguém deseja bastante que Favorite não seja encontrado.

Psicose (1960)

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Uma silhueta misteriosa, uma mulher gritando no chuveiro e uma faca pulsando em sua direção. Esta cena, uma das mais antológicas da história do cinema, faz parte de Psycho, clássico de Alfred Hitchcock. O diretor, conhecido por seu domínio do suspense, narra aqui a desventura de uma ladra em fuga que, após parar em um motel, é esfaqueada até a morte. As investigações sobre o desaparecimento tanto do dinheiro quanto da moça acabam levando até o local, onde as respostas sobre o que ocorreu demoram para vir à tona.

Watchmen (2009)

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Criado inicialmente para quadrinhos por Alan Moore, Dave Gibbons e John Higgins, Watchmen abre com o assassinato do super-herói conhecido como O Comediante. Rorschach, um de seus ex-parceiros fantasiados, desconfia que aquela seria apenas a primeira morte numa série de investidas contra os benfeitores de outrora. Conforme ele investiga o caso e busca antigos aliados, agora aposentados, novas evidências e atentados endossam sua suspeita.

Amnésia (2000)

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Em Memento, Leonard Shelby (Guy Pearce) sofre de um mal peculiar: após o assassinato de sua esposa, ele não consegue mais registrar novas memórias. Ele lembra o que ocorreu no passado antes da morte de sua amada e até mesmo durante o crime – mas não consegue lembrar com quem falou cinco minutos atrás. Mesmo sob essa condição, ele está determinado a encontrar o responsável por seu infortúnio. Seus principais recursos são tatuagens em seu corpo (infestado de pistas que foi acumulando) e fotografias com orientações sobre as pessoas que foi conhecendo. Não bastando o mistério natural da história, o diretor Christopher Nolan habilmente conta a história ao contrário. Não por acaso, é no tardio começo que as respostas residem.

Quadrinhos além das bancas

21 abr

(escrito no primeiro bimestre de 2009)

São Paulo é conhecida por sua abundante oferta de arte e entretenimento, inclusive para atividades gratuitas ou a preços populares. As histórias em quadrinhos não estão fora disso. É comum que associemos, num primeiro momento, as HQs às bancas de jornal, que trabalham com edições do mês ou, no máximo, do mês passado. É frequente encontrarmos em sua prateleiras publicações de super-heróis, mangás, personagens da Turma da Mônica e da Disney, além do clássico Tex.

Hoje em dia, muitas livrarias já dispõem de espaço dedicado ao segmento. Edições nobres, com capa dura e papel sofisticado, costumam ocupar boa parte da seção, ao lado de outros volumes importados, enciclopédias do gênero e grandes clássicos, como Calvin & Haroldo, Snoopy e Mafalda.

Só com essa variedade de títulos, a entrada no mundo dos quadrinhos estaria garantida a qualquer curioso pelo que chamam de “nona arte”. Mas ainda seria pouco para conhecê-la bem e, felizmente, sobram opções que podem ser utilizadas com esse intuito. Todavia, são opções mais obscuras do que gostaríamos, sendo necessário alumiar o caminho para os que querem se aventurar neste vasto universo.

Lojas especializadas

Existem estabelecimentos pela cidade que são dedicados unicamente aos quadrinhos. Seus acervos costumam ser impressionantes em relação a uma banca ou a uma livraria, contendo desde ícones da produção internacional (não apenas norte-americana) até títulos nacionais independentes e pouco conhecidos.

Uma das maiores representantes deste gênero é a Devir. A loja iniciou suas atividades em 1987 como importadora de gibis e mais tarde passou a também publicar artistas internacionais como Alan Moore, Frank Miller e Garth Ennis no Brasil, além de lançar inéditos de quadrinistas nacionais, como Angeli, Lourenço Mutarelli e  Fernando Gonsales. Paulo Roberto Silva Júnior, gerente de produtos da Devir, afirma que os importados já não são o carro-chefe da empresa há alguns anos. O atraso entre a publicação no exterior e aqui diminuiu muito após a Panini assumir as revistas de Marvel e DC, reduzindo a espera por lançamentos, que chegava até a quatro anos, para apenas um mês.

Outro grande estabelecimento do ramo é a Comix. Ela começou como uma banca especializada da Alameda Lorena, no Jardim Paulista, e com o tempo abriu uma loja na Alameda Jaú, a poucas quadras dali. A Comix é responsável pela maior feira de quadrinhos do país, a Fest Comix, realizada anualmente no Centro de Eventos do Colégio São Luís. Na feira, são vendidos diversos produtos relacionados a HQs (miniaturas, camisetas, jogos) e ocorrem palestras com especialistas e celebridades do meio. Vale ressaltar que a Devir também organiza a Maratona HQ, evento em que fica aberta durante 42 horas consecutivas em um fim de semana. Também ocorrem vendas com grandes descontos, além de atividades, palestras e oficinas relacionadas com HQ.

Sebos especializados

Se o cheirinho de novo não for essencial, existem sebos pela cidade com ótimas opções de quadrinhos usados. O maior nome nessa categoria é a Rika, direcionada unicamente para quadrinhos. Reunindo atualmente mais de 45 mil volumes, a loja, trazida de Curitiba para São Paulo em 2004, preza pela organização e conservação de suas revistas. Um representante chegou a mencionar que parte do acervo, que não se encontra mais em condição de venda, é doada para gibitecas. Todas as negociações se baseiam em cotações rígidas de mercado e são feitas tanto pessoalmente quanto por internet, onde compradores do exterior também fazem seus pedidos. Os gibis com mais saída são os de super-heróis que foram publicadas pela Abril entre 1979 e 2002.

O Esconderijo dos Heróis é outro sebo de tradição no ramo dos quadrinhos. Atualmente com mais de 20 mil volumes, o Esconderijo começou em 1979, vendendo apenas usados, e ficou por cerca de 25 anos em frente à Agência Central dos Correios, no Anhangabaú. Há 11 anos, a chefia abriu também uma loja, que atualmente abriga todo acervo que era da banca também, agora desativada em função das medidas da atual administração municipal. A prefeitura realizou uma ação de “remanejamento”, principalmente na região central, e os mais afetados foram os que comercializavam gibis usados. Helena Hild Filha, atual dona do Esconderijo, disse que suas vendas foram prejudicadas, pois no meio da rua era mais fácil o consumidor ver algo de relance e comprar. Agora situados dentro de uma galeria, eles estão (ironicamente) mais escondidos. Helena comenta que a melhor saída também é de super-heróis antigos, mas Panini também tem boa procura.

Gibitecas

Se a intenção é não gastar nenhum centavo, não há problema: as gibitecas também estão bem representadas na cidade. A mais tradicional de São Paulo é a Gibiteca Henfil, atualmente localizada no Centro Cultural São Paulo, ao lado do Metrô Vergueiro. Inaugurada em 1991, ela começou como um pequeno espaço na Biblioteca Juvenil Viriato Correa, que foi sendo ampliado devido à ótima aceitação dos moradores da região. Em seu início, a Henfil contou com a ajuda de doações de sebos, bancas e cidadãos para compor seu acervo. Nesta época, a gibiteca chegou à marca de 2 mil carteirinhas de sócios que retiravam revistas. Em 1999, quando mudou para o CCSP, aumentou de tamanho, mas o público diminuiu. Yara Afonso, funcionária desde a fundação, acredita que isso ocorreu pelo distanciamento do público cativo que tinha sido criado na região anterior. A pulverização do público pela abundância de atividades no CCSP é outra hipótese.

Sobre os hábitos dos frequentadores, Yara comenta que é muito fácil ver adultos consultando Disney e Turma da Mônica, enquanto o público infantil costuma se interessar mais por super-heróis. Embora as estimativas indiquem 120 pessoas por dia em média, a gibiteca tem passado por dificuldades. Após mudar para o CCSP, ela foi mudada de seu espaço original para dentro da biblioteca local e agora está sendo novamente movida para o lugar onde antes era a Biblioteca Volpi, especializada em artes. Esta última relocação fará com que parte do acervo seja removido, mais especificamente a parte em língua estrangeira, por ter pouca procura. A informatização da coleção também está sendo discutida. Por enquanto, todos volumes únicos ou raros são guardados numa estante liberada apenas para consulta local com apresentação do documento. Os demais volumes estão disponíveis para qualquer um ler na hora, e caso seja cadastrado, retirar por até sete dias.

Outra boa gibiteca que temos na cidade é a do Sesi, que inicialmente se localizava no prédio da Fiesp, na Avenida Paulista, e foi movida em 2006 para o Centro Cultural do Sesi, na Vila Leopoldina. Segundo Evelyne Lorenzetti, assessora de imprensa do Sesi, a mudança se deu por já existir uma grande oferta de cultura na Paulista, enquanto na Vila Leopoldina, a Gibiteca, junto com  a Biblioteca do Sesi, se transformou na primeira grande opção cultural da região. Evelyne acrescenta que o público do Centro Cultural do Sesi é formado majoritariamente por trabalhadores da indústria, cumprindo assim a iniciativa original que é fornecer cultura a esse público. O acervo da Gibiteca do Sesi conta com 12 mil exemplares e há uma média diária de 80 visitantes, contando junto com os usuários da Biblioteca. Lá ocorrem eventos mensais, sendo que o de abril foi um workshop sobre desenho de mangá.

Devir

Comix

Rika

Esconderijo dos Heróis

Gibiteca Henfil

Gibiteca do Sesi

10 filmes para provar que quadrinhos não vivem só de super-heróis

6 abr

(matéria que fiz em novembro de 2010, originalmente publicada no Cineclick)

Nesta semana, estreia nos cinemas de todo o país o filme Red – Aposentados e Perigosos, que conta a história de veteranos ex-agentes da CIA voltando ao serviço para um último trabalho. Embora seja um típico filme de ação, Red nasceu nos quadrinhos. Conheça em nosso TopCine 10 filmes baseados em HQs sem super-heróis e dos mais diversos temas:

01) Marcas da Violência

 Um dos raros filmes em que David Cronenberg não utilizou elementos insólitos e nojentos – ao menos não literalmente – ao lado de Senhores do Crime. Marcas mostra um homem de família que começa a ser confundido com um assassino e tem sua vida ameaçada pelo crime organizado. Publicada previamente em quadrinhos pela Vertigo, selo adulto da DC Comics, a adaptação rendeu uma curiosa indicação ao Oscar para William Hurt (Instinto Secreto), por uma atuação magistral de cerca de cinco minutos.

02) As Múmias do Faraó

Filme mais recente de Luc Besson, Múmias foi inspirado em As Extraordinárias Aventuras de Adèle Blanc-Sec, uma história em quadrinhos franco-belga do autor Jacques Tardi. O artista fez parte da Métal Hurlant (conhecida mundialmente como Heavy Metal), revista francesa responsável pela primeira exposição da vanguarda europeia dos quadrinhos. Entre seus principais representantes, estão Alexandro Jodorowsky (The Rainbow Thief), Enki Bilal (Tykho Moon) e Jean “Moebius” Girard (O Quinto Elemento).

03) Anti-Herói Americano

Uma das maiores antíteses do estereótipo de quadrinhos fantásticos, American Splendor mostrou a história sem brilho e exaustivamente comum de Harvey Pekar, tanto nos quadrinhos quanto nas telonas. Além de contar com Paul Giamatti interpretando o autor, o filme tem aparições do próprio Pekar , às vezes ao lado de “si mesmo”. Os dois conversam sobre as agruras de uma existência enfadonha – e há espaço até para comentar a interpretação de Giamatti.

04) O Gato Fritz

Além de Harvey Pekar, a contracultura dos quadrinhos foi representada por outro ídolo nos cinemas: Robert Crumb. Seu personagem Fritz é um gato libidinoso e drogado que divide apartamento com outros animais desajustados na época pós-hippie. A história chegou às telonas através de animação feita por Ralph Bakshi, autor também da primeira interpretação audiovisual de O Senhor dos Anéis, além do desenho Super Mouse.

05) Do Inferno

A história do assassino serial conhecido como Jack, O Estripador já foi adaptada para o cinema algumas vezes, mas uma das mais bem sucedidas foi a versão de Alan Moore (criador de Watchmen e A Liga Extraordinária). Antes dela virar filme, foi história em quadrinhos de luxo. Na adaptação, Johnny Depp é um inspetor de polícia que tem visões e resolve ir atrás de um criminoso que está matando prostitutas sistematicamente.

06) Mundo Cão

Um dos primeiros filmes de destaque de Scarlett Johansson e um dos últimos notáveis de Thora Birch, Mundo Cão mostra duas amigas que acabam de se formar e se sentem excluídas da sociedade. A produção, dirigida por Terry Zwigoff, foi baseada na HQ indie do premiado Daniel Clowes.

07) Os Perdedores

Mais uma adaptação do selo Vertigo, The Losers mostra um grupo de agentes da CIA que foi traído e deixado para trás numa operação na Bolívia, mas sobrevive e resolve se vingar daqueles que armaram para cima deles. O gibi ganhou o prêmio Eisner de 2004 de “Melhor Nova Revista”. O elenco conta com Chris Evans e Zoe Saldana entre os personagens centrais.

08) Oldboy

Um dos filmes da “Trilogia da Vingança”, feita pelo sul-coreano Chan Wook Park, Oldboy foi baseado no mangá de mesmo nome criado pelo japonês Garon Tsuchiya. Os direitos da publicação no Ocidente foram adquiridos pela Dark Horse Comics e a história teve recepção tão boa que atualmente já está sendo planejado um remake norte-americano. Entre os candidatos a diretor, estão Steven Spielberg (Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal), Matthew Vaughn (Kick Ass – Quebrando Tudo) e Danny Boyle (Quem Quer Ser um Milionário).

09) Desbravadores

Karl Urban (Star Trek) interpreta um nativo americano durante o século X, numa suposta chegada mal-sucedida dos vikings às Américas. Clancy Brown (A Hora do Pesadelo) é o líder bárbaro neste épico baseado também em uma graphic novel da Dark Horse, desenhada por Christopher Shy. Eis um caso onde o visual tenebroso e clima soturno feito nos quadrinhos acompanhou a transição para o cinema.

10) Estrada para Perdição


Dirigido por Sam Mendes, Estrada se passa na época da Grande Depressão e dos gangsters. Grande sucesso de bilheteria, protagonizado por Tom Hanks, o filme foi antes visto nos quadrinhos graças às mãos de Max Allan Collins e Richard Piers Rayner, que se inspiraram em outra revista japonesa para a trama: Lobo Solitário, de Kazuo Koike.

A lista não precisaria parar aqui. Logo teremos a estreia de Cowboys & Aliens, temos a boa ficção científica Substitutos, o horror 30 Dias de Noite ou mesmo famosos anti-heróis sem poderes muito evidentes, como Constantine, O Corvo e os amargurados personagens de Sin City – A Cidade do Pecado. Isso para não mencionar heróis mais excêntricos, como o esquizofrênico e hilário O Máskara ou a sedutora Barbarella. Importantes animações como Akira e Persépolis também vieram dos quadrinhos. E, veja bem, caro leitor, não citamos nesta matéria nenhum dos super-grupos ou super-heróis que estão sempre associados às adaptações de quadrinhos para o cinema. E se começarmos a lista de filmes que foram para os quadrinhos, vamos mais longe ainda: clássicos como 2001: Uma Odisséia no Espaço, Alien – O Oitavo Passageiro, Indiana Jones, Parque dos Dinossauros, Star Wars, Tron – Uma Odisséia Eletrônica, Psicose, entre muitos outros, também foram para as páginas desenhadas e cheias de balões. Há muito mais diálogo entre a sétima e a nona artes do que se pode imaginar. Você lembra de mais alguma?

Agenda (26 de março a 1º de abril)

25 mar

10 indicações da semana para quem mora em São Paulo!

01) De 30 de março até 1º de abril, o Centro de Convenções do Shopping Frei Caneca abriga a GameWorld Expo 2012. Entre as atrações do evento, estão os paineis com Yoshitaka Amano (designer conhecido por seu trabalho com a franquia Final Fantasy) e Reuben Langdon (dublador do Ken de Street Fighter II), entrevistas com executivos de Sony, Nintendo e Microsoft, além de campeonatos de cosplay, incluindo um específico de Final Fantasy.

02) O multi-instrumentista Hermeto Pascoal tocará nesta quarta (28) no Bourbon Street. Conhecido também por sua banda virtuosa e entrosadíssima, ele apresentará seu repertório do que classifica como “música universal”.

03) Os Garotos Podres farão parte do festival O Fim do Mundo, Enfim, que começa nesta semana no Sesc Pompeia e reúne diversas bandas clássicas de punk rock. Eles tocam na sexta (30) ao lado de Attaque 77 e Flicts.

04) Pelo mesmo evento, que celebra os 30 anos do festival O Começo do Fim do Mundo, os Ratos de Porão são o destaque do sábado (31). No mesmo dia, tocam também Invasores de Cérebro e Questions.

05) Fechando o festival organizado pelo Clemente, dos Inocentes, o domingo (1/4) conta com Olho Seco, Restos de Nada, Cólera, Agrotóxico, Condutores de Cadáver e Lixomania.

06) Mamãe Faz 100 Anos, do diretor espanhol Carlos Saura, será exibido na Cinemateca nesta segunda (26). O filme faz parte da Sessão Averroes, feita em homenagem ao filósofo medieval que batiza o evento.

07) Quem quiser esquentar para o festival punk do Sesc Pompeia, pode ver Jello Biafra, vocalista do Dead Kennedys, já na terça (27). Ele se apresentará no Beco 203.

08) O Nenê Trio, capitaneado pelo famoso baterista que acompanhou Hermeto Pascoal, Elis Regina, Heraldo do Monte, entre outros, se apresentará no Sesc Pinheiros nesta quinta (29).

09) O Cinusp exibirá nesta semana Persépolis, animação inspirada na HQ de mesmo nome, escrita pela iraniana Marjane Satrapi. As sessões ocorrem nos dias 26 e 28 de março.

10) Os jornalistas Jotabê Medeiros e Álvaro de Moya debaterão se ainda há preconceito contra quadrinhos. O evento, que ocorre no dia 31 (sábado) no Museu Belas Artes, faz parte da exposição Quadrinhos ’51.

Agenda (19 a 25 de março)

18 mar

10 indicações da semana para quem mora em São Paulo!

01) Começa nesta semana o festival de documentários É Tudo Verdade. Werner Herzog, Eduardo Coutinho, Jean Rouch e Edgar Morin são alguns dos diretores contidos na seleção desse ano. A sessão de abertura ocorre no dia 22 (quinta) com o filme Tropicália, de Marcelo Machado. A programação será exibida nos seguintes locais: Cinesesc, Centro Cultural Banco do Brasil, Cinemateca e MIS.

02) O crítico Christian Petermann e a psicanalista Ana Lucília Rodrigues farão um “debate-papo” com o tema “O Cinema e a Psicanálise em Almodóvar“. O evento ocorre nesta quarta (21) no Espaço Cultural 2001 Vídeo Sumaré.

03) Arrigo Barnabé e Kiko Dinucci falarão sobre a vanguarda paulistana e a cena musical atual da cidade. O encontro, que é gratuito, ocorre nesta quinta (22) no Sesc Santana.

04) Abre nesta quarta (21), no Museu Belas Artes de São Paulo, a exposição Quadrinhos ’51. O espaço contará com edições antigas de publicações clássicas como Mad, O Globo Juvenil, Creepy, entre outros. O “51” no título faz homenagem à 1ª Exposição Internacional de Quadrinhos do Mundo, que ocorreu em 1951.

05) A Banda Black Rio comanda a festa Let’s Groove no próximo sábado (24). O ícone da música black se apresenta no Estúdio Emme ao lado de Alexandre Luppi e dos DJs Dubstrong e Kri.

06) O MIS exibe nesta semana Serras da Desordem, de Andrea Tonacci. O longa faz parte da 1ª Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental. O filme, do mesmo diretor do clássico de cinema marginal Bang Bang, será exibido nos dias 21 e 22.

07) O Centro Cultural São Paulo recebe Adriana Bernardes (soprano) e Antonio Eduardo (piano) nesta terça (20). O duo interpretará composições contemporâneas de músicos como Gilberto Mendes e Antônio Ribeiro. A entrada é franca.

08) Invasões Bárbaras, do diretor Denys Arcand, será exibido no Cinesesc nesta quinta (22). O filme é continuação de O Declínio do Império Americano, mas pode ser assistido independentemente. O longa está incluso na Festa Internacional da Francofonia que ocorre no cineclube e conta com mais cinco películas.

09) A banda Creedence Clearwater Revisited, que contém os remanescentes do Creedence Clearwater Revival, tocará no Credicard Hall no próximo domingo (25). Sucessos como Proud Mary, Have You Ever Seen the Rain e Susie Q estarão no repertório.

10) A Noite Americana, clássico do cineasta francês François Truffaut, será exibido na Cinemateca. O filme, que é interessante exercício de metacinema, faz parte da mostra Semana da Francofonia.

Excalibur & X-Babies

13 mar

Meu primeiro contato com X-Men nos gibis se deu com Excalibur & X-Babies. Antes disso, só tinha visto os heróis mutantes no desenho animado, que passava por aqui na maravilhosa TV Colosso. A história foi publicada no Brasil em 1994, cerca de cinco anos depois do original. Lembro que li e não entendi nada – mas gostei mesmo assim. Por mais que não seja uma edição importante, na época enxerguei uma magia neste volume, um frescor nos personagens que não apareciam na animação, incluindo a maior parte dos membros do Excalibur. Alguns meses depois, eu começaria a colecionar X-Men de fato, a partir da edição #65 da Abril, que trazia a primeira aparição de Gambit.

Excalibur & X-Babies, publicada nos EUA como Excalibur: Mojo Mayhem, pode ser considerada uma história one-shot, independente. Há relação com os eventos da saga Inferno, uma das mais importantes na cronologia dos X-Men, mas nada que impeça a leitura por novos interessados . Algo que ajuda nisso é a opção por um registro cômico, nuance relativamente incomum na era de Chris Claremont, que cuidava dos personagens nessa fase tão empolgante. As ilustrações foram feitas por Arthur Adams, que tem um traço cativante e lembra uma versão menos agressiva e mais simplória do Jim Lee, artista que assumiria a franquia dali algum tempo.

A trama mostra os X-Babies, versão miniatura e caricatural (tanto física quanto psicologicamente) dos X-Men, escapando dos domínios extradimensionais do vilão Mojo. Durante a fuga, eles deixam para trás Rita Ricochete, que auxiliava na empreitada. Na dimensão comum, eles pedem ajuda de Kitty Pride, no momento integrante do grupo Excalibur, para resgatar Rita. Paralelamente, o mezzo caçador de recompensas mezzo empresário conhecido como O Agente já está no encalço dessa turminha do barulho que acabou se metendo numa tremenda confusão. *obrigado, Globo, pela TV Colosso*

Claremont foi bem inventivo neste pequeno desvio da trama principal. Além de contar com o injustiçado Excalibur (que, numa hierarquia de grupos mutantes, ficaria em quarto ou quinto lugar), com Mojo (um dos vilões mais incomuns da Marvel) e com os X-Babies (que traziam a personalidade dos heróis a um nível infantil), há uma articulação humorística das falas e agradáveis inserções metalinguísticas. Neste aspecto, dois momentos se destacam: um em que Kitty e os X-Babies roubam o carro que levava Claremont para uma sessão de autógrafos e outro em que o grupo mirim escapa da dimensão de Mojo ao encontrar a “Casa das Ideias”. Na fachada do lugar, estão os nomes de importantes sagas não só da Marvel (Guerras Secretas, Ataques Atlantes), como da DC também (Crise nas Infinitas Terras, Invasão, Lendas). Melhor ainda: o aposento pelo qual eles escapam se chama “Casa de Jack e Stan”, fazendo referência a Jack Kirby e Stan Lee, que criaram os X-Men e diversos outros grupos e heróis clássicos da editora.

É admirável que a Abril tenha pensado em publicar essa história em formato americano e como edição especial. É a típica aventura que pararia no que pode ser chamado de “lado B” das revistas em formatinho (felizmente, algo que talvez esteja extinto ou em vias de extinção hoje em dia).  Mas há um apelo, nítido desde a capa, nessa reunião de personagens – e ter começado minha coleção por aí é prova viva disso. Dentro do volume, a escolha de Kitty como personagem principal também foi muito acertada. Ela mesma foi achada por Xavier e seus alunos ainda adolescente, ficando um pouco como a café-com-leite da turma e vendo nos outros figuras paternais ou de irmão mais velho. Diante desse quadro, nada melhor que colocá-la para liderar os babies. Isso colabora muito com o humor adicionado por Claremont, tanto pela interação que ela tem com cada um deles em suas versões sem seriedade quanto pelos traços infantis que ela própria demonstra, como a birra, os sustos fáceis e a ingenuidade. A cereja do bolo é Kitty se culpando por uma suposta morte dos X-Men, algo que pouco depois seria desmentido, e vendo na ajuda aos X-Babies uma segunda chance para fazer as coisas darem certo.

Muitas vezes vi pessoas dizendo que não começavam a ler X-Men, ou qualquer outra publicação que trouxesse heróis clássicos, por receio de não conseguir pegar o bonde andando. Embora os quadrinhos estejam numa tendência oposta, cada vez mais favorecendo ciclos breves, esses grupos com sagas que duram décadas merecem ser lidos. Vale dar o pontapé inicial pelo começo de alguma fase, de algum roteirista ou mesmo partir do meio, por qualquer edição, sabendo que por umas cinco revistas muita poeira será comida. Mas sempre há sebos ou gibitecas para saciar dúvidas (fui muito à Gibiteca Henfil para achar edições referenciadas por asterisco). Aliás, isso nos anos 1990, afinal hoje existe internet para qualquer um fuçar e entender melhor as cronologias. Trocando em miúdos, o importante é começar. Por mais que não se entenda nada no momento, revisitar esse ponto de partida anos depois poderá trazer grande emoção.

Excalibur & X-Babies

Chris Claremont e Arthur Adams

Marvel

R$ 2,90