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10 bandas geeks para ouvir no Dia do Rock

13 jul

(publicado originalmente em INFO Online)

Weezer

Além de ser uma das bandas favoritas de muitos geeks, o Weezer consagrou seu nome na cultura nerd ao fazer o videoclipe Pork and Beans, no qual faz homenagem a diversos fenômenos do YouTube, entre eles os vídeos Evolution of Dance, Dramatic Chipmunk e Afro Ninja.

Radiohead

Além de ter usado muitos recursos eletrônicos em seus álbuns na década passada (incluindo o estranho instrumento eletrônico Ondas Martenot), o Radiohead também lançou seu álbum In Rainbows, de 2007, primeiro por internet. Na época, era possível baixar o disco e pagar o quanto desejasse pelo produto virtual.

Les Horribles Cernettes

Poucas bandas são tão genuinamente geeks como esse quarteto feminino formado por empregadas do CERN (Centro Europeu de Pesquisas Nucleares). Além de trabalharem no local onde ocorrem as colisões de partículas que levaram às recentes descobertas sobre o Bóson de Higgs, a sigla do nome é LHC – a mesma de Large Hadron Collider, nome do famoso colisor.

Devo

Outra favorita dos geeks, o Devo é uma banda new wave com elementos eletrônicos, que mistura visual nerd a fantasias de ficção científica. Parte dos videoclipes da banda foi criada para LaserDisc, mídia que não alcançou popularidade. Ah, e eles tem também uma “versão” da banda (na qual crianças são os cantores) chamada Devo 2.0.

Gorillaz

O Gorillaz foi formado por Damon Albarn, vocalista do Blur, e Jamie Hewlett, quadrinista britânico. Um entrou com a música, o outro com o desenho, para criar uma banda genuinamente virtual. Os videoclipes são protagonizados pelos personagens e até os shows contam com integrantes virtuais tocando num telão.

The Advantage

Embora existam outras bandas que façam versões de músicas de videogame, The Advantage se especializou em trilhas sonoras de NES, mais conhecido como Nintendinho. Entre os games homenageados, estão Megaman, Castlevania e Contra.

The Residents

Esse grupo disputaria a liderança de qualquer lista de bandas estranhas: os integrantes permanecem anônimos desde 1966, costumam tocar com máscaras de globo ocular e terno, e suas músicas costumeiramente desafiam os ouvidos. Mas eles merecem lugar também numa lista geek. Principalmente pelos anos 1990, quando compuseram com aparelhos de MIDI e lançaram álbuns em formato CD-ROM e recursos multimídia acompanhando as canções.

The Flaming Lips

Assim como o Radiohead, o Flaming Lips aplicou recursos eletrônicos ao seu rock indie com frequência a partir do fim dos anos 90. Ainda assim, o tom multimídia das apresentações e outras explorações chamaram atenção no grupo, principalmente o álbum quádruplo Zaireeka, de 1997. Todos os discos do experimento tinham as mesmas músicas, mas com instrumentos e canais diferentes. Quem quiser ouví-lo, precisa de um a quatro aparelhos de som diferentes para iniciar os CDs ao mesmo tempo e “montar” a música como quiser.

Pink Floyd

Apesar de suas experimentações com projeções e música eletrônica, o Pink Floyd pode até não soar como banda geek a princípio. No entanto, eles motivaram o que foi considerado um dos primeiros ARGs (jogos de realidade alternativa) por meio do “Enigma de Publius”. O primeiro sinal da charada foi dada em um grupo de discussão de Usenet em 1994, primórdios da internet popular. Uma mensagem misteriosa gerou comoção entre os fãs da banda, que trocaram inúmeras mensagens e fizeram até viagens internacionais para tentar o mistério, que permanece sem solução até hoje.

OK Go

Além do OK Go ter se popularizado graças aos seus curiosos vídeos, virando fenômeno independente no YouTube, sempre seus vídeos contam com interessantes recursos, como stop-motion, reações em cadeia cheias de engenhocas, perigosos testes motorizados ou coreografias sobre esteiras.

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7 apps para comemorar o Dia da Toalha

27 maio

(originalmente publicado em INFO Online)

25 de maio é uma data emblemática para fãs de ficção científica. Nos anos 70, foi nesse dia que grandes clássicos, como Star Wars: Episódio IV – Uma Nova Esperança e Alien – O Oitavo Passageiro puderam ser vistos pela primeira vez.

A partir de 2001, a data ficou marcada de vez como ícone nerd ao ser batizada como “Dia da Toalha”, em referência ao livro O Guia do Mochileiro das Galáxias, de Douglas Adams.

Separamos 7 apps, para Windows, iPhone, iPad e Android, todos relacionados a importantes obras de ficção científica. Entre os programas selecionados, estão jogos de aventura, pacotes de sons e até um quiz. Confira:

1 – Lightsaber Duel

Lightsaber Duel é um aplicativo que simula os sabres de luz de Star Wars. Muito divertido, ele usa o acelerômetro do iPhone para saber quando você está movendo o sabre ou “acertando” alguma coisa. O barulho de abrir e fechar o lightsaber também é simulado com perfeição.

O aplicativo deixa você personalizar seu sabre com diferentes bases e lâminas. Também é possível escolher qual personagem de Star Wars você quer ser durante a atividade.

Bastante divertido e indispensável para fãs da franquia, o app custa 0,99 dólares na App Store – e só está disponível em inglês.

Baixe o Lightsaber Duel pelo Downloads INFO.

2 -Star Trek PADD

O app Star Trek PADD leva os fãs da série às galáxias em um enorme banco de dados interativo com imagens e informações sobre a saga espacial.

O aplicativo traz uma reprodução do LCARS, famoso computador utilizado no século 24 da série. Efeitos de som, gráficos e vozes do seriado são reconstituídos fielmente.

No app, o usuário pode buscar diversas informações sobre a série de televisão – como naves, lugares, tecnologias, etc. – e ler as últimas notícias sobre o assunto, atualizadas por Facebook e Twitter.

O app custa US$4,99 e, como a própria página da App Store diz, o Star Trek PADD ainda não possui todas as informações sobre o universo da série. Porém, o banco de dados é constantemente atualizado e sempre há novidades.

Baixe o Star Trek PADD pelo Downloads INFO.

3 – Prometheus – Starmap UK

Prometheus – Starmap UK é um app para Facebook que traz notícias, fotos e teasers sobre o próximo filme de Ridley Scott, Prometheus. A produção marca o retorno do diretor ao universo de Alien – O Oitavo Passageiro.

O aplicativo exibe uma animação na qual o usuário pode navegar por links e visualizar trechos do filme.

No longa, uma equipe de cientistas e pesquisadores faz jornada pelos limites físicos do universo, enquanto procura por um mistério ligado à origem da humanidade.

Acesse o Prometheus – Starmap UK pelo Downloads INFO.

4 – Blade Runner Soundboard

O app Blade Runner Soundboard traz diversos sons do famoso filme Blade Runner, de Ridley Scott, para dispositivos Android.

O aplicativo é gratuito e tem um objetivo bem simples: trazer para o Android diversas frases e trilhas presentes no clássico de ficção científica lançado em 1982.

Ao clicar nas trilhas, o usuário pode escutar cada uma delas. E ao pousar o dedo sobre elas, ainda é possível salvá-las como toque de celular, som de notificação ou alarme.

Baixe o Blade Runner Soundboard pelo Downloads INFO.

5 – Men in Black 3

MIB 3 é o game inspirado no mais novo lançamento da famosa saga Homens de Preto. Nele, o jogador deve cumprir diversas tarefas para que os alienígenas não se infiltrem no mundo dos humanos.

O jogo conta com diversos níveis que vão sendo abertos conforme o usuário cumpre tarefas. Em uma interface gráfica bonita e adaptada, o jogador participa de várias missões com direito a breves narrações dos personagens. É possível escolher entre personagens femininos ou masculinos, além de personalizar seu nome.

O jogador também gerencia sua própria agência MIB e pode até recrutar amigos nas redes sociais para jogar junto com ele. Durante a aventura, são disponibilizados vestiários, enfermarias e lojas de armas para equipar os agentes.

O jogo busca levar a narrativa do filme para dentro das telinhas de tablets e smartphones. Além de viajar no tempo com armas futurísticas e combater seres de outro planeta, o jogador ainda pode utilizar o famoso neuralizador para apagar a memória das testemunhas envolvidas.

Baixe o Men in Black 3 para iPhone pelo Downloads INFO.

Baixe o Men in Black 3 para Android pelo Downloads INFO.

6 – Dune by Frank Herbert Trivia Quiz

Dune by Frank Herbert Trivia Quiz é um aplicativo para fãs da saga de ficção científica Duna.

Além de ter 210 perguntas sobre o universo criado por Frank Herbert, o programa conta com mais 50 questões de conhecimentos gerais.

O aplicativo contém 9 modos que funcionam tanto para jogar sozinho quanto em grupo.

Baixe o Dune by Frank Herbert Trivia Quiz pelo Downloads INFO.

7 – Space Odyssey 2001 Soundboard

Space Odyssey 2001 Soundboard é um aplicativo que contém 40 sons do filme 2001 – Uma Odisséia no Espaço.

Todos os arquivos podem ser utilizados como notificação, toque de celular ou toque específico de um contato.

A maioria dos sons traz frases de HAL 9000, famoso computador que acompanha os astronautas no longa.

Baixe o Space Odyssey 2001 Soundboard pelo Downloads INFO.

Rhythm Is a Dancer (e os maiores hits de 1992)

11 maio

Há duas décadas, o eurodance era febre mundial. Ainda assim, apenas uma canção do gênero (Rhythm is a Dancer) chegou ao topo das paradas em muitos países naquele ano, consolidando-se como um dos cinco maiores sucessos mundiais de 1992. Leia sobre essa música e as composições de rock e R&B que fizeram companhia a ela.

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Para aqueles que cultivam nostalgia dos anos 90, o hit da banda alemã Snap! é um hino. Rhythm is a Dancer fez grande sucesso mundialmente, assim como The Power (aquela mesma do “I’ve got the power!”), também do Snap!, What is Love, do Haddaway, e The Rhythm of the Night, do Corona (grupo italiano encabeçado pela cantora brasileira Olga Souza). Todas essas eram bandas de eurodance, algo que no Brasil ficou mais conhecido apenas como “dance”. Por mais que esse tipo de som pareça identificar bem aquela época, nenhum dos outros maiores hits mundiais desse ano era desse estilo, e sim de rock ou R&B. Conheça os outros hits que integram a lista dos cinco maiores êxitos musicais de 1992.

Smells Like Teen Spirit

Quem ouviu o estranho Bleach, primeiro álbum do Nirvana, na época de seu lançamento (1989), certamente não apostaria grana que eles se tornariam a próxima banda mais popular do rock. Graças a Smells Like Teen Spirit, foi o que ocorreu. A música tocou exaustivamente em rádio e televisão, o suficiente para entrar naquela lista de “canções maravilhosas que não aguentamos mais ouvir”. Mas levou a banda de Seattle ao topo e a manteve por lá até seu trágico fim, com o suicídio do líder Kurt Cobain.

I Will Always Love You

Com a recente morte de Whitney Houston, que se afogou numa banheira após uso de drogas, seu maior hit pôde ser ouvido a todo momento novamente. I Will Always Love You foi trilha principal do filme O Guarda-Costas (1992), na qual a cantora atuou ao lado de então galã Kevin Costner. Graças à longa nota que Whitney sustenta no refrão, a composição (criada por Dolly Parton) se tornou um ícone. Ela é uma das favoritas para demonstrações de habilidade vocal por parte de qualquer aspirante a cantora – ou cantor, lembrando que Lin Yu Chun, um jovem taiuanês, recentemente fez sucesso interpretando o clássico num programa de televisão.

To Be With You

O Mr. Big se destacou por reunir músicos virtuosos, com experiência de apoio a grandes roqueiros, tocando suas próprias composições. Mas foi por essa balada que eles ficaram mais conhecidos no mundo todo – lembrando de leve o caso do Extreme, que também caía mais para o hard rock, mas foi ouvido por todo globo com a balada More Than Words. Mas To Be With You não é uma balada melosa, é apenas uma canção de amor feliz, agradável e que gruda muito facilmente. Opção certeira para qualquer lual.

End of the Road

Quando assistia MTV na infância, todos esses representantes anteriores figuravam na programação normal – exceto o Boyz II Men. Esse era o único que eu só via tocando no programa Top 10 USA. Sempre tive impressão de que eles eram algo mais curtido por lá, mas li que essa canção também foi hit em diversos outros países, principalmente da Europa. E é uma composição muito bonita e viciante, não nego, continuarei ouvindo ela por mais meia hora com todo prazer. Mas não consigo tirar da cabeça que isso pode ter sido um dos culpados por uma moda tenebrosa que também esteve presente nos anos 1990: o “charme”, estilo popularizado por conjuntos como Sampa Crew e Fat Family. E ainda bem que o texto acaba aqui.

Dave Gahan (e outros cinco roqueiros com sete vidas)

10 maio

(publicado originalmente no Obvious)

O vocalista do Depeche Mode chega aos 50 anos acumulando vários momentos de muita sorte. Fosse por tentativa de suicídio, overdose, parada cardíaca ou tumor maligno, ele esteve muito próximo de não voltar mais à tona. Alguns roqueiros parecem ter sete vidas mesmo. Conheça outros cinco que estiveram na corda bamba – mas continuam vivos e quebrando tudo.

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Dave Gahan, vocalista do Depeche Mode, completa hoje 50 anos. Isso esteve muito próximo de não acontecer. Nessas décadas de palco, a vida do cantor já esteve por um fio por diversas razões: overdose, parada cardíaca durante show, remoção às pressas de um tumor maligno e até mesmo suicídio por corte de pulsos. Gahan até começou a ser chamado de “O Gato” pelos paramédicos em Los Angeles que acompanhavam suas constantes escapadas da morte. E não é para menos, qualquer um desses problemas poderia ser o ponto final para o roqueiro, como foi para muitos de seus correligionários musicais… ou não. Alguns simplesmente são como Gahan e não só sobrevivem como continuam na estrada – talvez mais lesados, mas ainda assim, surpreendendo de alguma forma. Pensei em outros cinco rebeldes da música pop que também aparentam ter sete vidas na cartola.

Ozzy Osbourne (1948 – )

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O lendário vocalista do Black Sabbath tornou-se uma figura cômica nos últimos anos. Graças a um reality show com sua família (The Osbournes), foi possível testemunhar sua lerdeza e sua forma peculiar de ver a vida. Lembro de ver na MTV, há muitos anos, uma vinheta em que ele desafiava qualquer um a entrar em sua cabeça e sobreviver lá por cinco segundos. Suas palavras ganham credibilidade sabendo que o roqueiro usou drogas constantemente por quatro décadas. O ápice de seu uso teria sido durante os três meses que passou trancado em um quarto de hotel após sua saída do Black Sabbath. Lá, ele se drogou e bebeu em tempo integral – e só saiu dessa draga graças a Sharon Osbourne, sua empresária de carreira solo e futura esposa (com quem teve dois filhos que, diga-se de passagem, também passaram por reabilitação). A sobrevivência de Ozzy intrigou até um grupo de cientistas que recentemente estudou seu genoma para tentar entender sua resistência ao abuso sistemático de tóxicos.

Keith Richards (1943 – )

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A fisionomia do famoso guitarrista dos Rolling Stones normalmente inspira medo. Seus traços tortuosos sugerem que ele tenha abusado constantemente de drogas por muitos anos. E é verdade. Certa vez, Richards comentou que o segredo de sua longevidade foi sempre comprar droga “de primeira”, dos melhores fornecedores. Balela ou não, é fato que seus bons contatos não evitaram que ele fosse preso diversas vezes por porte ilegal de entorpecentes. Entre 1967 e 1978, foram cinco apreensões e encarceramentos, algumas delas com julgamento. O caso mais polêmico ocorreu em 1977, quando sua banda estava em Toronto, no Canadá, e a polícia encontrou em seu quarto de hotel uma quantidade de heroína suficiente para evidenciar tráfico – algo que poderia condená-lo a sete anos de prisão. A pena acabou sendo leve: um ano em condicional, reabilitação e dois shows beneficentes.

Arnaldo Baptista (1948 – )

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O gênio por trás dos Mutantes também queimou muita coisa por aí. Seu uso compulsivo de drogas, somado a uma grande depressão e à separação da cantora Rita Lee, fizeram com que tivesse que ser internado para tratamento de desintoxicação e controle de temperamento. No entanto, é uma grata surpresa que Arnaldo tenha sobrevivido em função de outro episódio decorrente disso: em 1981, ele se jogou do terceiro andar da clínica onde estava. A queda rendeu uma lesão no crânio que o deixaria em coma por cerca de três meses. Felizmente, Arnaldo gravou outros álbuns solo depois do episódio, continua se apresentando e até foi tema do documentário Lóki, de 2008.

Iggy Pop (1947 – )

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Em matéria de trejeitos engraçados e aparência de ébrio, é difícil competir com Iggy Pop. Considerado pioneiro do punk rock com sua banda The Stooges, ele também não escapou do vício em heroína. Foi essa condição que comprometeu o grupo, primeiro por um longo hiato entre o segundo e o terceiro álbum, e depois pelo rompimento definitivo, pouco após um conturbado show em 1974 (no qual objetos de todos os tipos foram atirados constantemente na banda). Pouco tempo depois, Iggy foi internado em um instituto neuropsiquiátrico, no qual teve como visitante assíduo o também popstar David Bowie (que, dizem as más línguas, era seu aviãozinho de cocaína). Em 1976, o andrógino mais famoso do rock’n roll tirou Iggy da clínica e o levou em sua turnê. A arejada certamente fez bem: pouco depois, o punk gravaria seus primeiros álbuns solo, que o posicionariam diante dos holofotes de uma vez por todas.

Anthony Kiedis (1969 – )

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Apesar de bem mais novinho que os anteriores, o vocalista do Red Hot Chili Peppers também esteve na berlinda por abuso de drogas. Seu consumo começou muito cedo por seu pai ser meio ator e meio… traficante. Eles não só compartilhavam namoradas, mas também baseados e carreirinhas. Durante as gravações de The Uplift Mofo Party Plan, álbum de 1987, Kiedis atingiu o fundo do poço, foi internado e passou por seus primeiros 50 dias sóbrio desde os 11 anos. A morte do guitarrista Hillel Slovak por overdose de heroína em 1988 foi um baque importante para evitar recaídas por mais cinco anos. Entre meados de 1994 e 2000, ele voltou ao vício, mas é dito que desde então está afastado. De fato, a última década parece ser de relaxamento para o músico – que, em palco, felizmente continua enérgico e saudável.

Neubauten e os supporters: um novo grau de interação entre fã e artista

17 abr

(publicado originalmente numa versão anterior do Gotas, em setembro de 2009)

Neubauten ensaiando com supporters em novembro de 2004 (Markus Vortkamp)
Einstürzende Neubauten ensaiando com supporters em novembro de 2004 (Foto: Markus Vortkamp)

O crescimento do mp3 nos últimos anos, como formato dominante de música, tem feito a indústria fonográfica passar por uma queda vertiginosa de vendas. Trata-se de uma crise sem solução fácil para as gravadoras e a falta de perspectiva faz vários artistas procurarem novas estratégias de marketing.

Quando o Radiohead lançou In Rainbows, em outubro de 2007, em versão digital e independente, sugeriu que as pessoas pagassem a quantia que quisessem pelo álbum. Atualmente, a banda mostrou interesse em seguir a carreira lançando apenas EPs (discos de curta duração) ou faixas soltas. Billy Corgan, mentor do Smashing Pumpkins, também mostrou interesse em não lançar mais álbuns, justificando a decisão pelo fato das pessoas só se interessarem pelos hits, graças à facilidade trazida pelos iPods.

Podemos ainda somar essa tendência do fim do CD ao surgimento de sites de relacionamento como o MySpace. Por meio deles, bandas já consolidadas encontram canal de contato mais próximo dos fãs, enquanto grupos independentes podem divulgar seu trabalho numa relação sem maiores filtros ou intermediários.

Mesmo diante deste panorama, um dos exemplos mais extremos e curiosos de modificação na forma de consumo de música foi o da banda alemã Einstürzende Neubauten. Formada em 1980 por Blixa Bargeld e N. U. Unruh, ela ficou conhecida pela utilização de instrumentos atípicos, sendo comum o uso de latões, martelos, sucata e esmeris em suas apresentações. O conjunto uniu desde o início a atitude cáustica do punk rock a uma influência da música erudita concreta, que buscava criação sonora com elementos do cotidiano.

No documentário 20 anos de Einstürzende Neubauten: Escute com Dor (2000), exibido apenas em mostras no Brasil, é possível ver o ressentimento do coletivo quanto à falta de retorno financeiro de seus álbuns. Maus acordos com gravadoras fizeram com que tivessem pouco lucro em seus esforços. É possível que essa tenha sido a maior razão para terem mergulhado, por mais de cinco anos, no entitulado “Supporters Project”.

Iniciado em 2002, o projeto requisitava, através do site neubauten.org, que os fãs interessados pagassem uma quantia periódica e fossem os únicos patrocinadores do grupo pelo tempo do experimento. Esse mecenato coletivo excluiu todos intermediários comuns, com seus empecilhos, filtros e custos, trazendo benefícios incomuns aos seus contribuintes.

Os supporters, durante esse período, puderam acompanhar ensaios da banda por internet (e pessoalmente, em algumas ocasiões), tiveram sessões de chat exclusivas com o grupo e ganharam todos os álbuns realizados no período (cerca de dez CDs). O auge da experiência foi o momento em que cem dos membros foram selecionados para formar um coro, que ensaiou com o conjunto por um tempo, e se apresentou com ele no Palácio da República, em 2005. Na ocasião, foram apresentadas composições novas e versões de antigas com os fãs soltando a voz.

O projeto foi encerrado, como previsto, em outubro de 2007. A mesma iniciativa pretende agora fazer ações semelhantes com outros grupos. Um dos maiores indícios de que a experiência foi bem sucedida, e levou esses fãs a um novo patamar de interação com seu ídolo, é a criação de um álbum dos próprios supporters. Eles aproveitaram o canal que tinham em comum e fizeram uma banda para suas próprias músicas, independentemente do Neubauten – que os juntou em primeiro lugar.

Uma manifestação dessas é exemplo claro do quanto a internet pode reduzir distâncias, enriquecer o debate, queimar intermediários e filtros, e aumentar a chance da produção de bom material artístico pela convergência de intenções e opções estéticas. Cada supporter teve a possibilidade de experimentar uma relação mais direta com o artista, ao invés de entendê-lo à distância e de forma romantizada, tendo até a oportunidade de participar ativamente do processo criativo, além de sair dele também como criador.

Todavia, é preciso salientar que existem certos problemas no processo. Alexander Hacke, baixista do grupo, comentou sobre o quanto é exaustivo esse tipo de dedicação, muito menos passiva para os dois lados. No aspecto monetário, não houve grande diferença em relação às produções com gravadoras, embora o Neubauten tenha apelado em certos momentos para vídeos na internet pedindo mais desses patrocinadores físicos, para conseguir concluir o projeto. Fica a dúvida sobre o quanto a iniciativa funcionaria em bandas das mais diversas atitudes e com outros tipos de público.

Não se pode negar, no entanto, que interessantes iniciativas no ramo artístico estão sendo possíveis, graças à sofisticação da rede, e cada vez mais, novas ideias, como o inovador processo vivido pelos supporters, tendem a ir moldando qual será o novo paradigma de consumo de arte nesse século.

As Above, So Below

9 abr

(resenha originalmente publicada no Whiplash)

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O grupo ANGEL WITCH não lançava um LP só com composições inéditas desde 1986. Felizmente, foi o que aconteceu agora em 2012 com As Above, So Below, que saiu pela Metal Blade. O fato de não haver estardalhaço em cima disso comprova o quanto esta banda é uma das mais injustiçadas da NWOBHM (New Wave of British Heavy Metal). Não questiono: é uma tarefa hercúlea se destacar quando Iron Maiden, Judas Priest e Motörhead são participantes de sua cena musical. Mas certas composições do conjunto, como Evil Games, Dream World e Atlantis (lançadas na década de 1980) mereciam mais prestígio do que conseguiram. Aliás, não só essas faixas, mas as deste novo álbum também valem muito a escuta.

Desde a abertura do disco, com a ótima Dead Sea Scrolls, a banda dá sinais de ser veterana. Os timbres parecem clássicos (mas aperfeiçoados) e principalmente a produção releva o peso característico de um grupo das antigas. Remete bastante à sonoridade que o Black Sabbath conseguiu em álbuns dos anos 1990, como Dehumanizer e Reunion. Contudo, mais do que o prazer de escutar um conjunto experiente, a melhor sensação é a de que você está diante de puro ANGEL WITCH, antes mesmo da faixa inicial completar um minuto. É uma composição típica deles, algo que alivia quem escuta e afasta o pesadelo da reinvenção equivocada – não há nada disso por aqui.Entre os aspectos que caracterizam o ANGEL WITCH, além das diversas partes com guitarra dobrada e a voz peculiar de Kevin Heybourne, está a estrutura de cada música, com seções homogêneas e bem ligadas. Cada verso parece casar muito bem com o refrão que vem em seguida e mesmo as pontes e partes alternativas soam muito bem encaixadas. Essa virtude ajuda bastante o álbum a fluir naturalmente.

Heybourne, único membro remanescente, continua bom à frente das guitarras do ANGEL WITCH, e é preciso salientar o quanto sua voz também continua boa. Muitos vocalistas considerados superiores a ele tiveram queda de rendimento drástica desde os anos 1980. Em seu caso, por mais que o timbre tenha mudado um pouco, seus principais atributos permaneceram, mantendo o som ainda mais fiel à sua fase áurea. Seja em seus vibratos ou nos demais aspectos de sua interpretação vocal, às vezes a impressão é de que ele está até melhor, com mais controle e mais expressivo.

Outra coisa que também chama atenção sobre Heybourne são seus solos, que não são burocráticos nem demonstrações vazias de vasto repertório de técnicas. A consciência melódica do músico, evidente em faixas como Gebura, faz com que essas intervenções tenham tanto potencial narrativo quanto a composição inteira.

A quarta faixa, The Horla, tem seu título baseado no conto homônimo de Guy de Maupassant, considerado uma das principais inspirações para o autor H.P. Lovecraft. A deduzir pelas capas da banda (a deste álbum vem de uma tela de 1853, feita por John Martin), Call of Cthulhu certamente está entre as histórias favoritas de Heybourne. E, falando em terror, é notável a influência de Black Sabbath sobre este som. O refrão desta canção em particular é viciante como o de bons refrões do Sabbath – e, no todo, o clima nela pode até lembrar músicas mais leves do Iron.

O começo galopante de Witching Hour também pode remeter à banda de Steve Harris, que muitos sempre considerarão melhor em peso, velocidade, solos, criatividade e técnica. Essa superioridade até pode ser verdadeira sob certo viés, mas tendo em vista as composições do ANGEL WITCH, que seguem outra linha e tiveram interpretação competente de seus integrantes, não há necessidade de disputas. Há grande personalidade neste conjunto e isso continua evidente neste álbum. Brainwashed fecha o disco reiterando que os fãs antigos não se decepcionarão com o resultado e qualquer entusiasta da tríade sagrada (Sabbath, Purple e Led), da NWOBHM ou mesmo do hard rock norte-americano deve conferir o som desse grupo, seja pelos álbuns clássicos ou por esta boa surpresa de 2012 chamada As Above, So Below.

Lee Ranaldo entre os tempos e as marés

8 abr

(originalmente publicado no Obvious)

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Poucos títulos poderiam ser tão apropriados quanto o que Lee Ranaldo escolheu para seu novo disco. Between the Times and the Tides é o primeiro lançamento do guitarrista nova-iorquino após o anúncio de recesso do Sonic Youth, banda em que toca desde 1981. O divórcio entre Thurston Moore e Kim Gordon, também membros do grupo, motivou a pausa em novembro de 2011. Felizmente, Lee tinha material engatilhado e nem deixou o hiato ser sentido, lançando-o neste momento divisor de águas, pouco após a triste notícia. Aliás, sobre o álbum, existem más e boas novas.

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Fãs da banda se sentirão aliviados ao escutar Waiting On a Dream, primeira faixa do disco. Quem ouviu os álbuns solo anteriores de Lee pode estar esperando uma série de ruídos intermináveis e prolongadas seções incômodas, mas o que há aqui é uma canção que poderia facilmente estar num álbum do SY. A guitarra característica de Lee, a bateria (tocada pelo próprio Steve Shelley do Sonic Youth) priorizando tambores em sua marcação, a voz acompanhando a melodia… tudo remete ao conjunto. Falando no aspecto vocal, todos que cantavam no Sonic entoavam suas letras de forma blasé ou descuidada, mas Lee era o que usava sua voz de forma mais amelódica. Por vezes, era como se recitasse, quase se desprendendo da tonalidade e do ritmo – e, embora ele se esforce um pouco mais na interpretação aqui, ainda não está tão diferente assim.

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É a partir da segunda faixa, Off The Wall, que a maior surpresa no álbum passa a ficar mais nítida: a grande preocupação com a composição de boas canções mais acessíveis. Se a produção independente anterior de Ranaldo sugeria que ele fosse um dos membros mais favoráveis ao experimentalismo no SY, este disco nega isso de forma veemente. Existem timbres e levadas que sugerem sua obra com o grupo, mas no todo, a impressão é de estar diante de um cancioneiro do underground norte-americano, tão interessado no rock quanto no folk e até no country – mas com personalidade, aí sim esculpida em seus anos de Sonic Youth.

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Em geral, Between the Times and the Tides vai na contramão da dissonância e das estruturas incomuns, presentes em muitas músicas do SY. A sensação de mal-estar, confusão, agonia e incerteza deixam lugar para uma escuta mais descompromissada, positiva, leve e prazerosa. O toque indie nessas composições parece alinhar Ranaldo mais a Michael Stipe e seu R.E.M. que ao Sonic Youth.

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Tudo isso faz pensar sobre o quanto a contribuição melódica no Sonic Youth já vinha de Lee. Ficou evidente que o músico tem esse talento para canções mais convencionais e gentis com o ouvido. Ainda há destaque para a guitarra, mas não para seu aspecto punk e vanguardista. É possível interpretar essas faixas com violão e voz, obtendo resultados muito semelhantes aos do próprio disco. É possível lembrar e cantarolar boa parte dessas melodias após finalizar a escuta de Between the Times and the Tides. Aliás, há um exemplo bem concreto para entender esse momento de transição na carreira de Lee: a oitava faixa, Shouts, tem uma parte A que parece demais com o que o SY faz, enquanto a parte B jamais entraria num álbum deles. Um ouvinte incauto, julgando estar ouvindo a própria banda, certamente franziria a testa com desgosto durante a passagem.

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Se era esse tipo de som que Ranaldo vinha compondo em casa, essa suspensão momentânea da banda foi providencial. Será bom para todos que ele aflore esse lado mais folk no qual mostra grande potencial – mas ainda está cru. As canções em Between the Times and the Tides são boas, mas não estão no estágio ideal de concepção. Elas carecem de partes mais memoráveis, tocantes e arrebatadoras, como as dos grandes compositores do estilo. Gostaria que o SY continuasse produzindo coletivamente, mas se não for o caso, suponho que Lee só tem a melhorar sozinho, trilhando caminho em busca de sua própria singularidade.

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Fãs mais ardorosos do Sonic Youth certamente gostarão do álbum, mas aqueles que gostarem apenas de seus hits, que costumam valorizar bem o que há de mais caricatural na banda, dificilmente vão encontrar sentido em Between the Times and the Tides. Arrisco dizer que ele é mais ameno e plácido que qualquer disco que o SY tenha lançado.