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Cheesecake de frutas vermelhas

14 mar

Este ano consegui ir a três estabelecimentos diferentes na Restaurant Week. Primeiro no Per Paolo, que foi decepcionante em seu tiramissu horrível, no Estación Sur, disparado o melhor dos três, no qual comi excelente bife de chorizo e uma charlotte sensacional, e por fim, fui ao Tea Connection.

O local dispunha de cardápio simples da RW, mas reservava algumas boas surpresas. A principal delas não estava entre as opções promocionais e era a especialidade da casa: o chá. Bebi um gelado chamado Green Mellon, que tinha cubinhos de melão e ervas dando toque especial ao chá verde. O chá preto com blueberries também estava ótimo, mas mais pesado. Os dois copos vieram com uma pedra de gelo enorme em seu centro, que a princípio parecia apenas ser gelo mesmo. Aos poucos, conforme ela foi dissolvendo e o gosto foi apenas melhorando, em vez de diluir, ficou claro que a pedra era o próprio chá congelado. O resultado estético é divertido e o sabor ainda melhor.

As entradas do Tea Connection também não decepcionaram. Principalmente o quiche de espinafre estava soberbo, dando sentido a esse vegetal que não gosto de comer em outros contextos. A tortilha de batata assada com cebolas também estava saborosa, casando bem com a saladinha verde que ornava o prato.

O prato principal foi o ponto baixo. Salmão assado com purê de batata e molho tártaro, acompanhados por um bocado de vegetais grelhados, como ervilha e abóbora – que, diga-se de passagem, estavam bem duvidosos em sua combinação e estragaram o conjunto, principalmente por sua forma de preparo. Talvez servidos sem grelhar fizessem mais sentido. No todo, o resultado foi uma refeição sem identidade e burocrática, evidenciando que o forte da casa reside em outros aspectos.

Eu diria que, além do chá gelado de melão, a sobremesa foi o grande destaque. O cheesecake cheio de frutas vermelhas era feito com cream cheese Philadelphia e estava maravilhoso. O strudel de maçã com blueberries e sorvete de creme também era boa opção, mas não tinha o mesmo toque especial e irresistível.

O ambiente do Tea Connection é fino sem ser opressivo, conseguindo manter um clima casual. O atendimento foi bom. Uma das entradas veio errada, mas o garçom foi prestativo e não tardou a trazer a opção certa no lugar.

Vale a pena ir ao restaurante para provar seus chás gelados, cheios de personalidade, e suas sobremesas feitas com capricho.

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Medalhão de filé mignon ao molho de cogumelo shiitake

5 mar

Começou hoje em São Paulo a décima edição do evento Restaurante Week. Após o cancelamento de uma saída, resolvi ir a algum estabelecimento próximo que estivesse participando da maratona gastronômica. Na hora da janta, entrei pela primeira vez no Per Paolo. Ele fica num cantinho muito aprazível da Cardoso de Almeida, a praticamente uma quadra do Tuca e da PUC. Fui muitas vezes lá para comer no Makis Place e na Amor aos Pedaços, que ficam logo ao lado do restaurante, especializado em cozinha italiana.

Por ir acompanhado, pude experimentar as duas possibilidades de entrada previstas na promoção. Mesmo com o desdém do garçom ao confirmar que estávamos lá para a Restaurante Week e não para o cardápio normal, da boca para dentro tudo começou bem. Pedi a salada verde com tartare bovino. Apesar da má impressão pela quantidade, tudo foi compensado pela iguaria central, feita de carne crua. Bastou uma garfada dela com algumas folhas para saber que seria um excelente início de refeição.

A outra entrada, também com base em folhas verdes, vinha com palmito pupunha fresco ao molho de aceto balsâmico. Curiosamente, o cardápio indicava a presença de cebolas carameladas, que não vieram. Sendo assim, o destaque do prato ficou para o molho escuro, que deu toque especial para a salada.

Para o prato principal, pedi o tagliatelle de alho-poró e cebola. A massa era bem leve e fina, mas a fusão com o molho branco conferia cremosidade ao macarrão, melhorando bastante o gosto final. O detalhe primordial do prato são os pedaços de salmão marinado em limão. Eles aparentam ter ficado juntos no tempo certinho, dado o casamento perfeito entre o gosto do peixe e o da fruta.

Contudo, o medalhão de filé mignon ao molho de shiitake foi o destaque. Os dois pedaços bem avolumados da carne, cobertos com cogumelos, estavam muito bons e foram servidos ao ponto. Normalmente, prefiro bife bem passado, mas nesse caso valeu a pena – ainda mais com o acompanhamento de risoto de açafrão, bem empapado, mas num bom sentido. Esse foi o prato que me deu vontade de provar as demais coisas da casa, que também vende seus produtos congelados no local.

Apesar de tudo, a noite foi fechada com uma decepção sem igual – e justamente com o doce, sobre o qual guardava tantas expectativas. Poucos lugares vendem tiramissu e fiquei alegre de saber que esta era uma das sobremesas oferecidas. Quando chegou à mesa, achei sua cor estranha, mas confiei que o sabor estaria bom. Ao dar a primeira colherada, senti que a consistência dele estava duvidosa mesmo, endurecida, parecendo pudim amanhecido, ou pior, flan amanhecido. Rezando para que a parte abaixo estivesse melhor, tudo apenas piorou. O biscoito estava “ex-umedecido”, seco e envelhecido. Péssimo. Nunca pensei que largaria um tiramissu no meio, mas esse estava inacreditável. Fiquei com dúvidas se não estava passado da validade mesmo. Talvez algum equívoco de refrigeração e descongelamento possa ter comprometido toda uma leva. Mas enfim, por mais lamentável que seja a perda de um lote, pior ainda é servi-lo aos clientes (até porque eles podem falar mal depois).

Com entradas simpáticas, pratos principais com detalhes interessantes e uma péssima sobremesa, a ida ao Per Paolo foi bem mediana. Além do erro-monstro com o tiramissu, a massa também poderia ter mais substância – mas era tagliatelle, então até é compreensível. Ainda assim, o que é duro na Restaurante Week é que o preço pode ser barato em relação ao que é normalmente, mas ainda assim é uma facada, principalmente a janta. Se o estabelecimento é fino demais e dá um migué pondo pouca coisa no prato do cliente, até posso entender. Ele está pensando em apresentar o “gosto da casa” a potenciais novos clientes e deixá-los com vontade de retornar e apurar qual é o “real deal”. Mas jamais ele pode colocar comida duvidosa na jogada, como no caso desse tiramissu – que consegue broxar qualquer apetite.

Medalhão de filé mignon ao molho de cogumelo shiitake

Per Paolo

R. Cardoso de Almeida, 1021, Perdizes

R$ 43,90 (servido com entrada de salada de folhas verdes com steak tartare e tiramissu como sobremesa)

Hambúrguer de fraldinha com mussarela de búfala

3 mar

Se o Burdog é uma boa opção de pós-ensaio perto da Dr. Arnaldo, o Família Burger é uma das melhores ao tocar perto da PUC. Não afirmo que seja a melhor pelo páreo duro com o Hobby, clássica hamburgueria de Perdizes. Mas é muito fácil sair satisfeito de lá. Como o ensaio de hoje será muito tarde, decidi pedir um lanche deles no almoço e optei por um dos mais específicos do local: o hambúrguer de fraldinha.

Embora pareça pequeno dentro do pacote, o hambúrguer é bem concentrado e espesso. Rola uma sustança honrosa – basta olhar a foto acima, em que um pedaço dele divide o quadro com o beirute de peito de peru. Sempre que provo esse sanduíche me questiono como a fraldinha não virou uma carne mais comercializada nesse tipo de estabelecimento, como a picanha tem sido nos últimos anos. Poucas escolhas podem remeter tanto ao sabor de churrasco quanto essa, pelo menos na chapa do Família, que serve ao ponto. Com queijo comum, o lanche também é bom, mas o gosto mais pronunciado da mussarela de búfala proporciona uma união tão boa que me vem à cabeça a expressão extasiada de Dash, de Os Incríveis, quando percebe que consegue andar sobre a água.

É uma pena que a porção de onion rings da casa não segue essa qualidade. Seu único bom atributo é a quantidade. Em muitas hamburguerias, é possível receber relativamente poucas unidades, mas aqui elas vem aos montes. O lamentável é que mais do que anéis de cebola, o que vem é óleo. A impressão é de que tudo foi retirado da imersão na fritadeira e colocado subitamente na embalagem, sem qualquer processo de escoamento dos excessos. Além disso, a cebola é fina, descasca fácil e tem até partes queimadas, tornando difícil concluir a degustação dessa entrada. Mesmo pequena, a porção de fritas é uma pedida melhor, com palitos abastados e crocância satisfatória.

Uma grata surpresa foi provar o beirute de peito de peru. Fiquei mais curioso com o de picanha, mas essa foi uma excelente opção light – sem que isso significasse ausência de sabor ou de saciação. A maionese dá toque ótimo ao sanduíche de boa consistência e que parece agregar muito organicamente seus ingredientes, não deixando impressão de que algo está a mais ou a menos ali. Não é original, mas é muito bem feito pelo restaurante, com fatias de peito de peru colocadas sem parcimônia.

Para finalizar, bebi o milk-shake de Nutella que sempre alegra o fim do cardápio. Bebê-lo faz recordar a razão para que haja um culto à Nutella em todas as suas formas. Pedindo-o no local, ele vem em grande taça acompanhado de chorinho generoso na coqueteleira. Por delivery, como de costume em hamburguerias, apenas um copo de isopor (pelo mesmo preço). Outro aspecto beneficia a experiência in loco: a disposição da cobertura (que pode vir no sabores chocolate, caramelo ou marshmallow). Na taça, a calda é toda desenhada ornando o sorvete, enquanto no isopor fica praticamente inteira concentrada no fundo do copo. De qualquer jeito, provar essa bebida dificilmente fará você querer um dia experimentar outras opções e perder a oportunidade de saboreá-la novamente. Tanto no local quanto em casa, vale a pena ter tanto canudo quanto colher para desfrutar melhor da sobremesa, que alterna deliciosamente partes sólidas e líquidas.

Na primeira vez que pedi delivery do Família, houve uma demora enorme, causada por falha de comunicação entre entregador e telefonista. Dessa vez, o pedido chegou antes do estimado e com tudo corretinho. Por mais que eles estejam melhorando (e, aliás, deviam melhorar o site também, precário e desatualizado), a melhor forma de saborear suas produções ainda é indo ao próprio lugar, que fica situado em região arborizada, muito agradável e tem estacionamento grátis. O térreo faz entender o nome do lugar, com seu ambiente extremamente familiar e ocupado por filhos, pais e avós. O andar de cima, mais arejado e com televisões, é uma escolha mais adequada para conversas entre amigos. O atendimento é bom e normalmente a sensação de bem estar é o que predomina durante toda experiência, apesar da sempre fatídica hora da conta. Ainda assim, seja pelo estabelecimento ser agradável ou, principalmente, por seus lanches serem acima da média, vale muito a pena conhecer o Família Burger.

Hambúrguer de fraldinha com mussarela de búfala

Família Burger

Rua Monte Alegre, 681, Perdizes, Tel: 3672-8989

+ – R$ 25

Mushroom Burger

23 fev

Ontem tive o prazer de rever A Invenção de Hugo Cabret (que, puta merda, deveria ganhar o Oscar) na sessão das 21h no Kinoplex Itaim. Nunca tinha ido lá, achei os arredores bem agradáveis. Fica bem perto da Casa do Saber, onde trabalhei em 2010. Como faltavam ainda algumas horas para o filme, fui com uma amiga ao Butcher’s Market, uma hamburgueria a poucas quadras de lá. Tinha dado uma olhada no cardápio pela internet e fui esperando coisa fina pelos preços. Escolhi o Joint Burger, mas acabei ficando fascinado mesmo pelo Mushroom Burger que ela pediu. O interessante é que sempre tive aflição de cogumelos, principalmente por más experiências com pizzas de champignon durante a infância. Se você passou por algo parecido, esse lanche é certo para acabar com o trauma e se apaixonar pelo ingrediente.

Como entrada, pedimos uma porção de tapioca. Apesar do tamanho reduzido, o sabor compensou. Foram servidos 7 ou 8 desses bolinhos de tapioca que vêm cheios de pedacinhos pulverizados de queijo coalho. A consistência do petisco estava na medida, não sendo farelento nem borrachudo. Eles são fritos em óleo de girassol e servidos com um molho agridoce da casa, que deixa cada um desses cubos ainda mais delicioso. A hamburgueria conta com diversas opções de entrada, dando mais água na boca pela descrição as Cheese Chili Fries (fritas com molhos chili, cheddar e creme azedo) e o Pork Bun que, segundo a descrição do site, é um “pãozinho chinês feito no vapor e recheado com carne de porco, pepino agridoce, cebolinha e molho coreano a base de pasta de feijão”.

O Joint Burger acabou me decepcionando. Após a difícil escolha do cardápio de burgers, resolvi que a cebola roxa caramelizada e a maionese de rabanete, que estão no lanche, poderiam fazer desse prato o mais específico do lugar. A primeira surpresa foi com a cebola em tiras, que me lembrou muito a aparência de sashimi de atum. A primeira garfada foi feita com receio, mas o sabor era bom. Resolvi provar isoladamente a maionese de rabanete, que vinha tanto no lanche quanto à parte. Nunca tinha ouvido falar nesse tipo de maionese, mas o gosto sozinho era muito ruim e bem forte sem ser picante. Pareceu um pouco adstringente e não tenho certeza se isso é natural em rabanete, mas de qualquer jeito, estava ali de uma forma desagradável. Inconformado, resolvi testar a teoria do custard, que também pode ser ruim sozinho, mas em harmonia com doces pode não só ficar bom como valorizar aquilo que acompanha (como naquela torta de chocolate em massa de canela da Pie in the Sky).

E é fato, uma garfada do hambúrguer de 180g (que é muito bom se for pedido bem-passado), junto com alface, cebola e esta maionese, fica boa. Mas adicione-a com parcimônia, apenas para dar um gostinho. Se for usada em excesso, como é fácil ficar sugestionado a fazer, devido à quantidade abastada que vem à parte, o gosto dela pode anular os demais e tornar o hambúrguer quase intragável. Se a pessoa acertar a medida, colocando apenas o suficiente para salpicar de leve o hambúrguer, o Joint pode ser um ótimo lanche. Falando em custard e vendo essa foto do sanduíche, em que a maionese de rabanete tem umas estrias laranjas, lembrei desta cena do clássico Fome Animal, de Peter Jackson:

Talvez esse vídeo tenha arruinado a vontade de ler sobre comida. Mas não importa, a cena é boa demais. E falemos do melhor da noite: este Mushroom Burger. Querendo prová-lo apenas para conhecer mais das opções do estabelecimento, acabei adorando esses cogumelos. Me lembrou o pouco que comi de shimeji em restaurantes japoneses, mas definitivamente esses estavam soberbos e inesquecíveis, fossem sozinhos ou no contexto do lanche. A carne, também de 180g, vinha acompanhada de mussarela e um molho que o Butcher’s Market intitula de “house ketchup”, bem picante e muito saboroso, que poderia fazer as vezes de barbecue em local menos sofisticado. O melhor é que eles têm um barbecue da casa, que certamente provarei numa outra oportunidade. Felizmente, eles oferecem opções de molho e recheios adicionais para qualquer lanche.

Para encerrar, pedimos duas das sobremesas do local: o Julles Brownie com sorvete Haagen-Dazs de macadâmia e o Chocolate Volcano, um gateau com sorvete de chocolate belga da mesma marca. Os dois vieram acompanhados de sutil calda de café sobre o prato, outra agradável surpresa, que casou bem com os sabores de ambos os doces. Durante a refeição, bebi o Lemon Juice, que na verdade é suco de limão com lima da pérsia, hortelã e club soda. O gosto estava muito bom, só lamentei os gominhos mesmo, mas isso é frescura minha, que coo até caipirinha.

No fim, valeu a pena ir ao Butcher’s Market. Apesar da decepção com o Joint Burger, os demais pedidos ficarão na memória. Dá vontade de voltar para conhecer outros itens do menu, como o Market Original Burger, acompanhado por agrião, bacon defumado, mussarela, tomate e barbecue, ou uma salada muito curiosa chamada Coleslaw, que é composta por repolho branco e roxo, maçã, uva passa, maionese e mostarda Dijon. De sobremesa, há também dois tipos de milk-shake feito com Haagen-Dazs (certamente fabulosos), além do Icecream Sandwich, em que uma bola de sorvete da marca é prensada por dois cookies Mr. Cheney. Aos que estiverem em busca de uma noite mais ébria, a casa tem boas opções de cerveja importada, além de chopp Guinness, servido em pint ou gallon, e variados coquetéis. Tudo isso com bom atendimento, trilha sonora entre blues e rock e sem demora para os pratos chegarem. Estando preparado para gastar numa escala semelhante à do Outback, vale a pena conferir.

Mushroom Burger

Butcher’s Market

R. Bandeira Paulista, 164, Itaim Bibi

R$27

Zé Mineiro

17 fev

Frequentei muito o Burdog entre 2004 e 2005. Era o pós-ensaio preferido da banda com que eu ensaiava na época. Quase sempre eu pedia um cheese calabresa bacon com vaca preta. Após essa porrada, muitas vezes meu pós-pós-ensaio era ficar na cama me recuperando da quantidade ingerida, ao som de Pet Sounds dos Beach Boys e sua alternância simpática entre músicas que estimulam e relaxam. Era um bom roteiro de sábado na época. Hoje resolvi pedir um delivery deles e experimentar um acompanhamento que sempre olhei com curiosidade, mas acabei nunca tentando.

O Zé Mineiro é composto pela elogiada maionese Burdog, feita com ovos pasteurizados, e um molho à base de pimentão e tomate cozido em vinagre e açúcar. Pedi um cheese picanha com esse acompanhamento, além de um milk shake de flocos (que, ao menos desde aquela época, é feito com sorvete Kibon). Apesar do preço nada camarada, o sanduíche é realmente bom. O gosto do pimentão fica no ponto nesta combinação, com poucos pedaços e boa harmonia com esse tomate preparado de forma peculiar. A maionese, que se sobressai, também é excepcional.

Entre os outros acompanhamentos celebrados da lanchonete, estão o próprio Burdog, que além da maionese da casa, também conta com alface, tomate, 5 tiras de bacon, 4 fatias de pepino em conserva e 1 rodela de cebola crua. Ouvi falar muito bem também do molho tártaro de lá. O hambúrguer de calabresa, que de fato respeita o formato de hambúrguer, é um dos melhores que já comi, mas a melhor pedida continua sendo o hambúrguer de picanha. Entre as porções, as onion rings foram muito boas no passado, mas hoje pedir fritas é a opção mais segura, com as cebolas vindo oleosas além do limite.

Os sucos do Burdog não se destacam sozinhos, mas é comum que eles acertem a medida nos sucos com leite, algo bem raro. Tanto o de laranja quanto o de morango ficam cremosos e com a acidez anulada, mas sem descaracterizar o sabor da fruta. O milk shake ainda é melhor saboreado no local, onde é servido em grande taça, com direito a um abastado vasilhame de chorinho (que de diminutivo só tem o nome).

Quanto às taças de sorvete, o sundae é saboroso e vem com farofa crocante bem pulverizada. O maior problema é o excesso de cobertura e marshmallow, que pode facilmente ocultar o gosto do sorvete em si, além de pesar demais no estômago e ser um perigo para quem tem gastrite. Para uma melhor experiência, é aconselhável pedir o sorvete somente com a farofa crocante. O estabelecimento oferece também as combinações clássicas de sorvete com refrigerante: vaca preta (chocolate com coca-cola), vaca amarela (creme com guaraná) e ice cream soda (creme com soda). Eles não vêm misturados, algo que por um lado parece preguiça e má-vontade, mas por outro também é conveniente para que cada um componha sua sobremesa na proporção em que desejar.

O Burdog tem certa variedade, mas continua compensando mais na qualidade de seu hambúrguer e de seus sorvetes, que são servidos em boa quantidade e não decepcionam. O atendimento no local também é bom e a entrega chegou antes do esperado. Talvez a regularidade seja uma das grandes aliadas da lanchonete, que iniciou suas atividades em 1968 – só dois anos depois daquele Pet Sounds, que ajudará na digestão hoje também.

Zé Mineiro (Cheese Picanha acompanhado por)

Burdog

Av. Dr. Arnaldo, 232

(11) 3151-4849

Cheese & Onion Pie

12 fev

Queijo, cebola, batata e mostarda dijon. Esses são os ingredientes que preenchem a Cheese & Onion Pie, do restaurante Pie in the Sky. Localizado em Perdizes, o estabelecimento conta com diversas iguarias da gastronomia inglesa, tendo como destaque suas tortas, que têm massa inigualável e, embora pareça pequena, tem recheio abastado que facilmente satisfaz.

O inglês Ryk Preen é  o chef responsável pela Pie in the Sky. É comum vê-lo no local, muitas vezes conversando descontraído com clientes em seu idioma nativo. Casado com a brasileira Ana Cláudia Laforga, ele iniciou sua investida num pequeno espaço na rua Cayowaá. Dependendo do horário, era bem difícil encontrar lugar com amigos e colegas de trabalho – às vezes, até estando em casal a lotação impedia a entrada. Era pequeno demais para a novidade e o sucesso fez com que eles mudassem para a rua Ministro Gastão Mesquita, mudando temporariamente o nome para The Bristol Tavern.

Junto com o nome, mudou também o cardápio. Preen se aventurou nos pratos típicos ingleses e começou a servir clássicos como o Fish & Chips, que traz bacalhau fresco frito com batatas chips, acompanhados de purê de ervilhas e molho tártaro. Entre as especialidades da casa, sou apaixonado pelo formidável Cod & Salmon Fishcake, um bolo frito de bacalhau e salmão, com o mesmo acompanhamento. Linguiças especiais e hambúrgueres de carneiro e javali também podem ser achados no cardápio.

Atualmente, a casa faz desconto em pedidos de torta com porção, um combo que fica imbatível junto com os chopps Eisenbahn ou alguma das opções na notável carta de cervejas especiais inglesas (que contém também outras opções europeias). Entre as porções, o destaque é para as Spicy Wedges, batatas assadas com uma pimenta que desafia até os mais resistentes. As Honey & Mustard Wedges, opção menos agressiva, também harmonizam muito bem com os chopps e as tortas. Falando nelas, além da Cheese & Onion, existem opções para todos os gostos: Steak & Stout (carne cozida com cerveja preta) ou Steak & Blue Cheese (cubos de carne com queijo roquefort) são boas escolhas para quem preferir carne vermelha. Chicken & Cheese (peito de frango com queijo brie e tomilho) e Chicken Tikka Masala (frango cozido com temperos indianos) fazem a alegria de quem for mais fã de carne branca. Entre as opções para vegetarianos, existe a torta feita com baked beans da marca Heinz, acompanhada por purê de batata e queijo, e também um delicioso hambúrguer de falafel com homus.

Para encerrar a visita, a Death by Chocolate Pie, torta de chocolate em massa de canela, está entre as melhores escolhas de sobremesa.  Ela pode ser enjoativa sozinha, mas com o acompanhamento de custard, que harmoniza perfeitamente com o recheio, fica inesquecível. A Pie in the Sky serve também sorvete caseiro de três bolas (banana com chocolate chip, framboesa e Bailey’s irish cream) e tortas de maçã verde com amora, ameixa condimentada e pêssego. Apenas lamento que o pudim de pão tenha sido tirado do cardápio, era outra ótima opção. Ah, um último detalhe: enquanto eles não têm delivery, que deve iniciar suas atividades em breve (os panfletos novos já vêm com o telefone para pedidos), vale experimentar o local, bem arejado e aconchegante, sempre com rock’n roll tocando ao fundo (muitas vezes punk inglês, com preferência notável por The Clash).

Cheese & Onion Pie

Pie in the Sky (The Bristol Tavern)

Rua Ministro Gastão Mesquita, 234, Perdizes, São Paulo

R$ 14