Alice Braga fala sobre Hopkins “pirado” em entrevista sobre O Ritual

15 abr

(texto sobre junket do filme O Ritual, publicado originalmente no Cineclick em fevereiro de 2011)

A atriz Alice Braga (Predadores) falou com os jornalistas na manhã desta terça-feira (1/2) em São Paulo sobre seu novo trabalho, O Ritual, no qual atua ao lado de Anthony Hopkins (Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos) e Colin O’Donoghue (The Tudors). O filme mostra um rapaz que está para se tornar padre, mas se encontra em uma forte crise de fé. Para tentar sanar o problema, ele parte para o Vaticano para aprender sobre exorcismo e rever seus conceitos com um veterano (Hopkins). Alice faz o papel de Angeline,  jornalista em busca de uma grande reportagem sobre o assunto.

Quando perguntada sobre como foi trabalhar com Anthony Hopkins, Alice não poupou elogios: “Foi uma honra. É um ator-ícone da história do cinema, muito apaixonado e, mais que tudo, muito preparado. Além disso, é um ser humano muito generoso, muito carinhoso.” Ela comentou a cena em que Hopkins, que interpreta um exorcista, é possuído por um demônio: “Nós filmamos em uma sala pequena, com muito calor. O Anthony estava ‘pirando’ lá dentro.”

A atriz não se esquivou de perguntas sobre suas crenças pessoais. “Eu fui batizada, fiz primeira comunhão, mas fui bastante em igreja só quando minha avó estava viva. Nunca fui muito ligada em religião e nunca acreditei muito no diabo. Inclusive, nunca pensei muito sobre isso.” Ainda assim, ela diz que leu o livro em que o filme se baseia, escrito por Matt Baglio, e pesquisou tanto exorcismo quanto a história do Vaticano. “Eu gostei muito da minha personagem porque é uma jornalista investigativa”, disse ela, que é filha da atriz Ana Braga com o jornalista Ninho Moraes. “Eu tentei ao máximo não julgar este universo em que estava entrando. Não posso dizer que acredito no diabo depois do filme, mas estou mais aberta a essa discussão.”

Gary Thomas, exorcista que inspirou a história, fez visitas ao set de filmagem. “Ele era um homem sereno, presenciou as cenas calmamente e sem receio do que seria feito […], ele conversou muito com Hopkins e Colin.” A atriz comentou que, durante a pré-estreia do filme, o padre Gary chorou. “O filme não é uma crítica […], o Gary se emocionou pelos meses que passou com o livro, o filme e revendo sua história. Ele sentiu que fez parte”, disse Alice.

A atriz aproveitou também para falar sobre os incidentes estranhos que costumam cercar as produções sobre exorcismo. “Se fosse uma comédia, ninguém perceberia essas coisas, mas como é um tema muito ‘dark’, sempre aparece”, comentou bem-humorada. O destaque insólito dos bastidores de O Ritual ficou por conta da erupção do vulcão islandês Eyjafjallajokull, que causou caos aéreo bem na época das filmagens, impedindo que a equipe viajasse. A coincidência veio em boa hora e foi incluída no filme como um dos infortúnios do personagem central. Colin O’Donoghue também viu uma pessoa sendo atropelada, assim como seu personagem vê no filme, e o roteirista Michael Petroni insiste que ouviu um som estranho durante todo seu período de trabalho.

Este é o segundo filme com Alice que alcança o topo das bilheterias norte-americanas. O primeiro foi Eu Sou A Lenda, com Will Smith (Sete Vidas). “Ficar em primeiro lugar é prazeroso. Todo mundo estava ali batalhando, passando mal com o calor de Budapeste, dando a alma para o projeto. É uma possibilidade de você mostrar seu trabalho para mais gente”, disse Alice, que a princípio ficou feliz, mas depois sentiu certo pânico ao pensar na quantidade de pessoas que iriam vê-la nas telas.

Ela falou sobre seus próximos projetos, principalmente On The Road, de Walter Salles (Linha de Passe). “Eu admiro muito ele, então o trabalho foi a realização de um sonho […], ele é um diretor incrível, supercarinhoso, fala baixinho (risos).” Alice também mencionou que está envolvida em duas produções em fase de captação – sobre as quais ainda não pode revelar detalhes -, além de um filme com o diretor José Eduardo Belmonte (Meu Mundo em Perigo) que está para ser feito. Todos são projetos nacionais. Sobre o cinema brasileiro, ela ainda comentou: “O mais difícil é a captação […] e desenvolver mais a distribuição. Em termos de conteúdo, já estamos fazendo coisas bem diferentes.” Ela aproveitou para falar que não se sente mais dentro de um estereótipo, seja da latina ou da “musa nerd”, conseguindo acumular perfis bem diversos em sua carreira.

Ao falar sobre suas preferências no terror, a atriz concorda “100%” com a opção por uma abordagem mais psicológica do gênero. Ela falou de seus favoritos: “O Bebê de Rosemary eu não vejo nunca mais (risos). O Iluminado […],  que eu lembro de ver com 16 anos em casa com um monte de amigos, a gente obviamente passou a noite acordado. O Exorcista eu vi uma vez, mas fiquei com pavor. […] É engraçado fazer filmes assim […] eu sou do tipo que sonha, que fica com medo em casa sozinha, então evito um pouco. Mas quando você faz, traz uma nova curiosidade.”

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: