Trabalho Sujo

12 abr

(crítica originalmente publicada no Cineclick)

Trabalho Sujo

O cartaz de Trabalho Sujo (em inglês, Sunshine Cleaning) anuncia que ele foi feito pelos “produtores de Pequena Miss Sunshine”. Mas não se engane: por mais que o filme trate de uma família problemática embarcando em empreitada excêntrica (o que, a essa altura, está longe de ser novidade), as semelhanças acabam por aí.

A história traz duas irmãs, interpretadas por Amy Adams (Casa Comigo?) e Emily Blunt (O Lobisomem), ambas na faixa dos 30 anos, que ainda não conseguiram tomar um rumo profissional em suas vidas. Elas foram criadas por um pai solteiro, papel de Alan Arkin (A Vida Íntima de Pippa Lee), que também não teve êxito em seus negócios. Após sugestão, as irmãs decidem entrar num ramo pouco explorado: remoção de sujeira com risco biológico, ou seja, limpeza de cenas de crime, acidentes e outros tipos de morte. No entanto, ocupadas em lidar com uma mancha em seu passado, os problemas acabam se estendendo ao novo negócio.

A maior virtude do filme é conter as belas protagonistas e o sempre bom Alan Arkin, que dão ao longa um brilho que a história não chega a alcançar por si só. E poderia, afinal, a premissa da trama não é ruim. O problema é que o roteiro simplesmente carece de uma série de elementos que Pequena Miss Sunshine, a quem ele tenta fazer referência, esbanjou: personagens sólidos e ricos e enredo bem costurado.

Trabalho Sujo encontra melhor paralelo com outros filmes menores e de história amena, como À Francesa, que trazia outra linda dupla de irmãs, formada por Naomi Watts (Destinos Ligados) e Kate Hudson (Nine), em trama igualmente ingênua e sem sal.

Talvez o maior erro do longa seja não definir seu tom. Embora lide com o mórbido e a decadência, há um clima piegas permeando muitas das situações – algo que é agravado pela bucólica trilha sonora de Michael Penn (O Solteirão). Por não abraçar uma tendência específica, que poderia ser tanto a comédia romântica leve quanto a dramédia pontuada de humor negro, o filme torna-se um híbrido pouco atraente. Faltou também desenvolver melhor personagens como o pai turrão (Arkin) ou mesmo o vendedor sem braço (Clifton Collins Jr., de Scott Pilgrim contra o Mundo) e sua relação com a personagem de Amy Adams.

Trabalho Sujo pode agradar por seu trio principal e ideia central, mas é pueril e sem rumo definido. Sua inconsistência o torna apenas simples passatempo simpático de fim de ano.

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