Megamente

10 abr

(crítica originalmente publicada no Cineclick)

megamente

Imagine a origem do Super-Homem. Krypton está em colapso e um bebê, que se tornaria Clark Kent, é colocado por seus pais em uma cápsula espacial. Expelido no universo, ele parte em direção ao planeta Terra, onde poderia sobreviver. Agora, imagine se essa cápsula fosse tirada de seu curso por outro bebê em apuros. É assim que começa Megamente, nova animação da DreamWorks, dirigida por Tom McGrath (Madagascar 2 – A Grande Escapada).

Na história, o pequeno Megamente (Will Ferrell na versão original e Cláudio Galvan na nacional) aterrissa numa penitenciária e é criado por vários criminosos. Logo, ele mostra sua aptidão para inventar máquinas e toda sorte de engenhoca para impressionar os outros. Todavia, ele sempre é obscurecido pelo garotinho da outra cápsula, que teve uma criação generosa e ficou conhecido como Metro Man (Brad Pitt dubla em inglês e Thiago Lacerda em português).

Já adultos (e inimigos mortais), os dois duelam uma última vez e Megamente consegue massacrar o super-herói. Curiosamente, sem seu nêmesis, o lorde do mal não se sente aliviado. Pelo contrário, ele se vê num vazio imenso sem ter alguém para se opor às suas vilanias, sentindo até culpa por seus atos. Durante essa reflexão, ele começa a questionar o porquê dele mesmo não ser um super-herói – e, é claro, esse questionamento trará muita dor de cabeça para ele (e para a cidade de Metro City).

A história surpreende no seguinte ponto: na maioria dos filmes de super-heróis, o contato com o lado humano e frágil do vilão ocorre apenas no final, quando ele está prestes a ser aniquilado. No entanto, em Megamente, o espectador é apresentado à gênese do protagonista e à sua razão para ficar malvado antes mesmo do nome do filme aparecer na telona. E o melhor é que há a vontade de torcer por ele desde o início, tamanha a empatia gerada por sua trajetória – por mais que ele faça esforço para ser “do mal”.

Will Ferrell, bonachão por natureza e um pouco incompreendido em seu humor (afinal, ele é, pelo segundo ano seguido, o pior custo-benefício de Hollywood), ficou excelente no papel do alienígena azulado, que se torna vilão não por querer ser um, mas por não encontrar espaço para suas boas intenções. Cláudio Galvan também teve ótimo desempenho na versão dublada, conseguindo mostrar, de forma criativa, o lado cômico do personagem de cabeça enorme.

A trilha sonora é um capítulo à parte, bem conduzida por Lorne Balfe (A Origem) e Hans Zimmer (Sherlock Holmes), e com ótimas inclusões de clássicos do rock, tocados por AC/DC, Ozzy Osbourne, Guns N’ Roses, entre outros. Destaque também para a consultoria criativa dada por Guillermo del Toro (Hellboy II – O Exército Dourado) e Justin Theroux (Homem de Ferro 2), que certamente ajudaram a compor melhor todas as criaturas e personagens da animação. Também ficará na memória a citação ao personagem de Marlon Brando no Superman de Richard Donner.

Megamente pode parecer, num primeiro momento, apenas mais uma animação pirotécnica sobre heróis e vilões, mas adquire profundidade ao mostrar personagens descobrindo o que realmente querem ser, independente do que os outros acham que eles são. O filme dessacraliza a figura do herói, mostrando que há bondade e maldade em todos, e enaltece a descoberta da própria vocação por si mesmo. E o bom é que tudo isso veio por meio de um filme dinâmico, com bom uso do recurso 3D e que certamente agradará adultos e garantirá alguns bons risos às crianças pelas confusões – inclusive em uma cena em que o azulão estapeia a si mesmo, ao melhor estilo Jim Carrey, em O Mentiroso.

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