20 álbuns essenciais (2001-2010)

21 mar

Após falar sobre o Mars Volta e demais bandas que fizeram bonito na última década, fiquei com vontade de dar uma olhada mais cuidadosa nos álbuns lançados no período. Entusiasmado com o que via, fiz lista com 20 discos feitos nessa época cuja escuta considero fundamental.

01) Songs For The Deaf (2002) contou com a melhor formação que o Queens of the Stone Age já teve: Josh Homme (Kyuss) na guitarra, Nick Oliveri (Mondo Generator) no baixo, Mark Lanegan (Screaming Trees) na voz e Dave Grohl (Foo Fighters) na bateria. Todos estavam tinindo em seus instrumentos, tornando este o álbum mais redondo feito pelo grupo.


02) Yoshimi Battles The Pink Robots (2002) marca o ápice na trajetória que o Flaming Lips traçou com seus CDs anteriores. Composições fortes, estrutura de álbum coesa e orgânica, produção impecável e sensação de narrativa sci-fi. Há espaço para risos e lágrimas (Yoshimi Battles The Pink Robots Pt. II / Do You Realize?), e também para ação e reflexão (Fight Test / All We Have Is Now).


03) Lateralus (2001) é o ponto máximo na obra do Tool. Extremamente grave e soturno, o álbum mostra um lado do metal contemporâneo pouquíssimo explorado. Fórmulas de compasso incomuns, tambores entoando ritmos ritualísticos e até composições baseadas na sequência de Fibonacci. Destaque para a alternância entre voz sussurrada e grito Banshee de Maynard James Keenan.

04) Bridge Across Forever (2001) tem apenas quatro faixas. Fecha com uma de meia hora, abre com outra de 26 minutos e mesmo a segunda quase atinge 15 minutos. Apesar da capa ser uma das piores de todos os tempos, considero essa a melhor homenagem feita ao rock progressivo clássico nos dias atuais. A banda reúne membros do Dream Theater, Marillion, Flower Kings e Spock’s Beard.


05) Amnesiac (2001) não é tão monolítico quanto seu predecessor Kid A, lançado um ano antes, mas ainda assim é um disco incrível. Apesar de suas composições estranhas, cheias de timbres e efeitos insólitos, é um álbum muito redondo e cheio de passagens memoráveis.


06) Trust (2002) marca o último momento realmente melancólico do trio de sadcore Low. Depois dele, músicas mais solares, agitadas e com batidas eletrônicas ficaram comuns. Mas aqui ainda predominam os andamentos lentíssimos, o dueto de vozes mantendo notas que desafiam qualquer pulmão e, claro, letras e melodias que quebram qualquer coração.


07) Ver Tanzt? (2004) é o debut da Black Ox Orkestar, que iniciou satisfatoriamente suas atividades. As composições de klezmer, todas cantadas em iídiche, eventualmente flertam com free jazz e outros tipos de música, mas mantendo fidelidade ao gênero típico judaico. O baixista Thierry Amar toca também nas notáveis bandas Godspeed You! Black Emperor e A Silver Mt. Zion


08) La Roux (2009) pode ter sido a melhor coisa que apareceu no pop da década, embora não tenha estourado pra valer. A voz versátil e sedutora de Elly Jackson casa muito bem com as levadas electro de Ben Langmaid. Supera muito Goldfrapp atual, que tem buscado som retrô semelhante. O visual Tilda Swinton-oriented da cantora colabora para que o som não seja popular como merecia.


09) Death By Sexy (2006) é o segundo álbum do Eagles of Death Metal, banda liderada pelo bigodudo Jesse Hughes e que tem ninguém menos que Josh Homme nas baquetas. Em nenhum outro momento da década o rock foi tão divertido. Os clipes são um capítulo à parte: têm desde Dave Grohl e Jack Black usando peruca até Jesse vestindo cueca de couro e capa dourada para passear.


10) Amputechture (2006), do Mars Volta, está aqui tanto quanto Frances The Mute ou De-loused in the Comatorium também poderiam estar. Hoje, vendo o conteúdo de cada um, optei por esse. Algumas faixas aqui são memoráveis demais, como a balada Asilos Magdalena, a tropical Day of the Baphomets, além de Viscera Eyes, o riff mais pesado que poderia ser vendido para Michael Jackson.


11) Pocket Symphony (2007) é um diamante da música intimista. A dupla francesa Air atingiu o ponto certo aqui em sua fusão eletrônica de ambient e pop. A produção é tão delicada e as composições tão sensíveis que a impressão é de estar ouvindo o álbum deitado num quarto escuro durante um dia nevado. A capa do álbum, por exemplo, está bem alinhada com essa sensação.


12) Black Holes and Revelations (2006) foi uma boa surpresa do Muse. Nenhum outro álbum deles foi tão homogêneo ou teve tantas composições acima da média. Não é à toa que Take a Bow foi usada como tema de trailers de Watchmen, Knights of Cydonia ganhou um dos melhores videoclipes da década e Supermassive Black Hole é a melhor música que Prince nunca fez.


13) Suspended Animation (2005) é a essência dos Fantômas de Mike Patton. Após trilhas sonoras para HQ, covers de temas clássicos do cinema e até uma faixa de 74 minutos, a verdadeira face da banda ficou clara neste álbum, com dezenas de músicas curtas e fragmentadas que elevam a loucura sônica do grupo às alturas.


14) Hold Your Horse Is (2002) é um exemplo incrível do estrago que dois bons músicos podem fazer sozinhos. Normalmente eu associava math rock a conjuntos enfadonhos e composições repetitivas e sem alma, que resultavam num minimalismo insosso e pretensioso. O Hella é diferente e sabe tornar esse rock de padrões em algo extremamente inventivo e tecnicamente impressionante.


15) Dynamo (2008) é o álbum de estreia do Faded Paper Figures e é uma das coisas mais deliciosas de ouvir que saiu nessa década. O casal de vozes (ambas singelas e charmosas) dá colorido ao instrumental que se utiliza de timbres de videogame para ganhar corpo e personalidade. Poucas bandas utilizaram esse recurso chiptune antes e aqui ele encaixou muito bem.


16) Always Outnumbered, Never Outgunned (2004) demorou sete anos para suceder The Fat of the Land. Mas não foi à toa. O Prodigy precisava de tempo para tentar superar seu melhor álbum. E, de fato, esse sucessor bate Fat em termos de produção. Em composição, peso e performance, acho que é uma questão de gosto. Eu particulamente prefiro em todos aspectos.


17) Dreams (2002) é um dos melhores discos lançados pela Tzadik, do John Zorn. Aliás, nessa década, provavelmente o melhor. O álbum de Otomo Yoshihide traz música tradicional japonesa, rock e noise numa fusão muito agradável. Dentre as surpresas garimpadas pela gravadora, só The Story of Iceland, do Eyvind Kang, poderia rivalizar – mas o álbum é de 2000.

18) Probot (2004) é a cara do Dave Grohl. Amigo dos grandes e respeitado no meio, ele simplesmente convidou diversos vocalistas renomados do metal, como Lemmy Kilmister (Motörhead), King Diamond (Mercyful Fate), Max Cavalera (Sepultura, Soulfly), Cronos (Venom), entre outros, e os colocou para cantar nas 12 faixas que compõem este disco. Um clássico menosprezado do gênero.

19) Danç-Êh-Sá [Dança dos Herdeiros do Sacrifício] (2006) é o melhor disco que Tom Zé fez na década. Nem seus estudos sobre o pagode ou a bossa superaram esse que é o verdadeiro iconoclasta da safra. Os arranjos caóticos, a musicalidade atonal, a estrutura desesperadora. Tudo aqui celebra o fim da canção. E como esse apocalipse é bom.

20) Sung Tongs (2004) não é o auge do Animal Collective. Acho que Spirit They’re  Gone Spirit They’ve Vanished, álbum lançado quando o coletivo era apenas duo (Avey Tare & Panda Bear), é mais transgressor e audacioso, enquanto Merriweather Post Pavilion é o pico técnico da banda. Ainda assim, nenhum foi tão bom em composições quanto este álbum, simples e forrado de boas canções.

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