Katamari Forever

24 fev

Há alguns dias, falei sobre o jogo Flower e sua capacidade terapêutica. Bucólico e sem personagens, é um título eficiente para relaxar e observar belas paisagens enquanto se encarna o vento e leva pétalas das flores no horizonte. Todavia, se o conceito de relaxamento do jogador estiver mais ligado a ser um agente do caos fazendo tour psicodélico cheio de cenários e personagens extravagantes, qualquer título da franquia Katamari pode trazer mais alívio – e Katamari Forever, para PS3, traz todos elementos necessários para criar um fã da série.

A história por trás de cada Katamari sempre é um espetáculo à parte. Em Katamari Forever, o Rei de Todo o Cosmo está ensinando seu filho a dar grandes pulos. Ao se empolgar e dar um “giga-jump”, ele é atingido na cabeça por um meteoro, entrando numa espécie de coma celestial. Para que a realidade continue sendo gerida, o Príncipe decide construir, com ajuda de seus 57 primos, uma máquina que possa substituir o Rei enquanto ele não acorda. No entanto, logo que esse robô ganha consciência, acaba com todas estrelas no céu num rompante de destruição. Isso deixa tarefas em dobro para os 58 personagens: eles devem rolar a bola que gruda os objetos pelos quais passa (um katamari) tanto para reintegrar a memória do Rei e acordá-lo quanto para colher novo material e criar novos planetas para recompor o universo.

Katamari Damacy, para PS2, iniciou a franquia em 2004 e foi celebrado pela crítica por sua originalidade. Desde então, tem sido comum cada sequência ser cada vez menos elogiada, muitas vezes sob acusação de não trazer inovações relevantes – algo com que nunca concordei. Admito que sou fã, mas sempre notei melhorias que tornavam cada jogo mais divertido que o anterior. É facilmente o caso de Katamari Forever, que apesar de ter título em japonês equivalente a “Katamari Damacy Tribute”, conta com novidades formidáveis.

Katamari Forever contém 34 fases, metade para o Rei e metade para o Robô-Rei. Todas estão espalhadas por cenários psicodélicos que se apresentam como livros pop-up. É comum que cada um desses estágios possa ser jogado de quatro formas diferentes: Forever (com visual cel-shaded e novos comandos), Drive (igual ao Forever, mas com a bola acelerada), Eternal (também igual ao Forever, mas sem limite de tempo) e Classic (visual e jogabilidade original da série). Além dessas possibilidades visuais, existe uma terceira em que a fase fica com aparência “amadeirada”. Seja qual for a opção do jogador, a qualidade dos gráficos, pela primeira vez em HD na franquia, é fabulosa dentro do estilo proposto.

Na jogabilidade, duas melhorias foram feitas. A primeira é a adição do pulo com o Katamari, feito com o botão R2. Este é um recurso precioso em certos cenários, principalmente para coletar objetos difíceis ou sair de um lugar atravancado. A segunda é a completa tolerância a batidas, sendo possível chocar o Katamari em alta velocidade sem perder o que já foi agregado. Nos primeiros jogos da série, pequenas batidas faziam objetos serem perdidos, o que tornava o desafio maior, mas empacava a fluidez que é plena em Katamari Forever.

A trilha sonora aqui continua impressionante, como de costume na franquia, com sua mistura de música eletrônica com jazz, ritmos latinos e j-pop. Mas não chega a ser a mais notável da série, reciclando muitas composições dos outros títulos em remixes – que são agradáveis, mas não atraem tanto quanto as originais ou covers de We Love Katamari, para PS2. Ouça um trecho do tema principal de Katamari Forever na introdução do jogo:

A variedade nas fases também chama atenção. Ainda é possível rolar objetos no chão do quarto de uma criança tanto quanto pessoas numa escola ou estrelas no universo. Continuam os desafios de assimilar apenas animais, rolar o maior objeto possível sem tocar em outros ou de ajudar um lutador de sumô a engordar empurrando-o sobre comida. Além disso, Katamari Forever tem a melhor fase da série no estilo “do micro ao macro”,  começando por pessoas e terminando em planetas. Talvez o novo cenário mais interessante seja a do Katamari Sprinkler, no qual não é importante rolar objetos, mas sim levar água a um terreno árido e regá-lo, transformando-o em jardim.

Os recursos adicionais do jogo podem ser enaltecidos. Nunca tantos primos tinham sido disponibilizados, nem tantos acessórios, que podem adornar cabeça, rosto e cintura de cada um deles . Rankings de pontuação de outros jogadores ao redor do mundo, frames absurdos das fases, descrições estapafúrdias dos objetos, animações psicodélicas intercaladas entre as fases, tudo está disponível neste título. Vários mini-games também são encontrados aqui: dois de Beautiful Katamari (lançados originalmente para X360), um de We Love Katamari e dois inéditos, incluindo um dificílimo de punição que aparece quando não se consegue concluir uma fase.

Embora Keita Takahashi, criador da série, nem esteja mais na Namco, a companhia mostrou que soube aproveitar bem a base deixada para a franquia. Ela ainda não tinha provado isso em Beautiful Katamari, primeiro grande título da série sem seu mentor. Na época, o resultado foi um jogo muito rápido de se zerar (5 a 6 horas), mesmo sendo comercializado em DVD e não online. Katamari Forever garante ao menos o dobro disso, além das buscas adicionais por troféus, primos, presentes, etc. Esse pode não ser o mais original da série, algo que quase todas as sequências estão fadadas a amargar (embora eu sonhe que um dia eles farão como em Onde Está Wally, lançando Katamaris temáticos, com viagem no tempo ou mundos fantásticos). Podem também faltar algumas músicas clássicas, quem sabe até alguma fase emblemática, mas se a pessoa pudesse jogar apenas um Katamari, eu aconselharia sem hesitar que ela escolhesse esse.

Katamari Forever

Namco Bandai / Keita Takashi [conceito]

PS3

R$145

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