Comic Book Men

20 fev

A AMC tem acertado muito nos últimos anos. Emplacou Mad Men em 2007, abriu portas pro inefável Breaking Bad em 2008 e arriscou bem de novo ao dar chance para The Walking Dead em 2010. Por mais que todos esses já possam parecer segmentados, o seriado mais novo da emissora é de longe o mais direcionado a um público muito específico. Comic Book Men, do cineasta Kevin Smith, ganhou seu segundo episódio no último domingo (19) e é direcionado unicamente para nerds, sobretudo nerds de HQs.

Lembre as cenas de The Big Bang Theory em que os personagens estão garimpando gibis. As discussões sobre revistas raras, barganhas por bonecos, demonstrações inumanas de conhecimento . Bom, cada episódio de Comic Book Men traz isso por uma hora. Kevin Smith fica discutindo com seus empregados, da loja de quadrinhos Secret Stash, sobre o cotidiano do local e diversas nerdices. Boa parte das cenas são tiradas de um estúdio onde é gravado um podcast de verdade com participação dos cinco. Nada mais adequado: a impressão que fica dos episódios é de um podcast filmado, bem produzido e com algumas cenas e situações que servem para ilustrar os temas discutidos.

Como entusiasta de quadrinhos, a série realmente me apeteceu. É uma mistura do já citado Big Bang com O Balconista, passando por Alta Fidelidade e até alguns aspectos de Viva La Bam. Tudo é tão familiar e curioso que se torna naturalmente uma adição no dia-a-dia de um nerd. Mas temo um cancelamento prematuro. Se Big Bang despertou no início algum receio dessa natureza, o carisma dos personagens centrais, o bom timing para piadas e a presença de Kaley Cuoco trataram de dinamitar essa questão. Eu não sei se Comic Book Men conta com qualquer um desses fatores – certamente nada parecido com o último. Como indica o título, é um autêntico clube do Bolinha, ao menos por enquanto.

As pessoas que frequentam lojas de quadrinhos ou que são amigos de balconistas provavelmente se identificarão mais facilmente com a série. A empatia com os personagens parece depender disso, da compreensão desse código que tanto afasta a maioria das pessoas. Bryan Johnson é folgado, sarcástico e parece um Alan Moore da Suécia. Kevin Smith é um nerd típico de convenção. Jason Mewes é o lesado que aparece para quebrar a monotonia do lugar e a paciência dos vendedores. Rob Bruce parece um bad-ass à la David Carradine do mundo nerd. E por aí vai. São estereótipos facilmente reconhecíveis pelo meio – mas talvez só pelo meio mesmo. Restam as instigantes discussões de história das HQs. Debates sobre as primeiras revistas em que apareceram personagens usando drogas ou explicações sobre a complicada Crise nas Infinitas Terras, feita pela DC nos anos 1980, estão na pauta. É um paraíso nerd imperdível. Um dos poucos aspectos mais universais e que chama atenção é a habilidade para negociar que fica evidente em Walt Flanagan, gerente da Secret Stash. Suas barganhas de preço, convincentes por seu grande conhecimento da área, são empolgantes.

Por enquanto, seis episódios estão encomendados pela AMC. Não sei o quanto isso poderá interessar ao grande público, ainda não vi nenhum índice de audiência, mas receio (espero que eu esteja errado) que a série não vá passar disso. Tendo em vista alguns dos últimos longas que Kevin Smith fez, seria bom continuar vendo essa aura nerd que cerca quase toda sua filmografia, mas sem o romancezinho besta que tem acompanhado suas histórias. Manter somente essa linha nerd hardline seria mais saudável para todos.

Comic Book Men

Kevin Smith

AMC

(sem previsão de lançamento no Brasil)

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